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Indústria não mostra reversão que melhore emprego, diz IBGE

Os resultados do emprego industrial de julho são predominantemente negativos e refletem o cenário de retração na produção industrial do País - causado pela continuidade no recuo do consumo interno. A avaliação foi feita pela economista do Departamento de Indústria do IBGE Isabella Nunes Pereira, ao apresentar os números sobre o emprego industrial em julho. "Isso não é nenhuma novidade. Não existe, no momento, um sinal ou um movimento de reversão na produção industrial que possa conduzir a impacto positivo no emprego", afirmou. A economista informou que a queda no emprego industrial de 1,2% em julho ante julho do ano passado foi a sexta queda consecutiva registrada neste tipo de comparação. Queda de juros ainda não teve efeitoIsabella Nunes Pereira disse que os resultados de julho sobre emprego inddustrial ainda não captaram a influência positiva da redução gradual de juros. Na comparação com julho do ano passado, os principais impactos negativos no emprego industrial em julho foram causados pelas quedas em Rio Grande do Sul (-4,8%) e São Paulo (-1,3%). "Mas a influência negativa mais expressiva, em julho, foi da região Sudeste, puxada por São Paulo", afirmou, lembrando que o parque industrial do Estado representa quase 50% da indústria nacional. As únicas áreas a ampliarem o emprego em julho, ante julho do ano passado, foram região Norte e Centro-Oeste (4,8%), Paraná (2,9%), Santa Catarina (2,2%) e Pernambuco (0,9%). Setores mineral e não metálicos pressionaram Os resultados negativos nos setores minerais não-metálicos, outros produtos para a indústria da transformação e têxtil foram as áreas que conduziram ao desempenho de queda no emprego industrial, em todas as comparações pesquisadas pelo IBGE, disse Isabella Nunes Pereira. "Todos este setores são voltados basicamente para o mercado interno", disse, lembrando que há meses o instituto registra retração na demanda interna. Ela informou que em julho deste ano, ante julho do ano passado, foram registradas quedas em outros produtos da indústria de transformação (-8,2%), seguido pelas indústrias têxtil (-5,8%) e de minerais não metálicos (-6,2%). Por outro lado, as contratações nos segmentos de alimentos e bebidas (1,0%), refino de petróleo e produção de álcool (10,0%) e máquinas e equipamentos - exclusive eletro-eletrônicos e de comunicações (3,2%) foram as mais significativas, porém não conseguiram reverter a tendência de queda do nível do emprego. De janeiro a julho deste ano, ante igual período no ano passado, novamente os destaques negativos no emprego industrial ficaram com os setores de fabricação de outros produtos da indústria de transformação (-8,7%), minerais não-metál icos (-5,1%) e têxtil (-3,3%). Folha de pagamento real sobe 0,4% O valor real da folha de pagamento na indústria apresentou pequena elevação de 0,4% em julho ante junho. Mas o resultado não representa início de reversão na trajetória de queda na renda do trabalhador do setor. "Estamos detectando há muito tempo queda no rendimento. É um quadro negativo que vai demorar a se reverter e ainda se mantém", afirmou a economista Isabella. Ela explicou que a pequena melhora foi um resultado à parte no real cenário da renda do trabalhador industrial. Ela informou que, nas demais comparações, o valor real da folha de pagamento da indústria brasileira permaneceu apresentando perda real: -3,4% em relação a julho de 2002, -6,1% no acumulado do ano e -4,6% nos últimos doze meses até julho. No que se refere à folha média de pagamento, verificaram-se reduções em todos os indicadores pesquisados pelo IBGE: em julho ante igual mês do ano passado, (-2,3%), no acumula do no ano (-5,8%) e nos últimos doze meses até julho (-4,4%). Desempenho negativo de horas pagasO desempenho negativo no número de horas pagas na indústria reflete a trajetória de queda no pessoal ocupado do setor, segundo Isabella Nunes Pereira. As horas pagas na indústria caíram 1% em julho ante junho, e registraram quedas de 1,6% ante julho do ano passado; de 0,8% de janeiro a julho deste ano, ante igual período no ano passado; e de 0,6% nos últimos doze meses até julho. Para a economista, o único fator positivo no número de horas pagas é fato de que este indicador tem caído há menos tempo do que o emprego industrial. "Enquanto o indicador mensal do emprego caiu em julho pela sexta vez consecutiva, esta é a terceira queda consecutiva no número de horas pagas na indústria", afirmou, considerando que os industriais adiaram o tempo que puderam para realizar redução nas horas pagas.Em julho, houve redução no número de horas pagas em 10 dos 14 locais pesquisados, em relação a julho do ano passado. Em termos regionais, a principal influência negativa na consolidação do índice global foi verificada em São Paulo (-1,3%), seguido por Minas Gerais (-2,9%) e Rio de Janeiro (-4,0%). Por setores, ainda na comparação com julho de 2002, as prin cipais pressões negativas no número de horas pagas, em julho deste ano, foram registradas pelas quedas em outros produtos da indústria de transformação (-9,7%), têxtil (-7,4%), vestuário (-4,7%), calçados e couro (-5,4%) e minerais não-metálicos (-6,0%).

Agencia Estado,

17 de setembro de 2003 | 11h26

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