Rafael Arbex/Estadão
Rafael Arbex/Estadão

Indústria não pode voltar a viver 'dilema do câmbio', diz presidente da Abit

Para Fernando Pimental, à frente da Associação Brasileira de Indústria Têxtil, a valorização do real sobre o dólar pode voltar a impulsionar importações e prejudicar a atividade local

Idiana Tomazelli, Carla Araújo e Lu Aiko Motta, O Estado de S.Paulo

12 Setembro 2017 | 13h18

BRASÍLIA - O presidente da Associação Brasileira de Indústria Têxtil (Abit), Fernando Pimentel, defendeu nesta terça-feira, 12, que a indústria não pode voltar a viver o "dilema do câmbio", segundo o qual a valorização do real ante o dólar pode voltar a impulsionar importações, prejudicando a atividade local. Pimentel fez a declaração em evento no Palácio do Planalto e adiantou que mostraria sua posição mesmo sob o risco de "desagradar" ao ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, presente ao evento.

"Não podemos voltar ao dilema do câmbio. No mês passado já tivemos aumento de importações no nosso setor", afirmou. Pimentel disse também que o País precisa crescer pelo menos 4% ao ano. 

As afirmações do presidente da Abit chegam em meio à diminuição da importância das exportações na produção da indústria nacional. Ao mesmo tempo, os importados ganharam espaço no mercado brasileiro, confirmando o receio de Pimentel. É o que aponta pesquisa inédita da Confederação Nacional da Indústria (CNI) obtida pelo Estado.

Entre julho de 2016 e junho de 2017, as indústrias brasileiras exportaram 15,6% da produção. Nos 12 meses anteriores, as vendas para outros países responderam por um pouco mais: 15,8%.

Já a medida sobre a participação de produtos importados no mercado nacional atingiu 16,8% nos 12 meses terminados em junho passado, ante 16,5% no período anterior. O uso de insumos importados pela indústria atingiu 23,1%, ainda abaixo dos 23,4% no período anterior.

Representantes da indústria e das centrais sindicais têm listado uma série de medidas consideradas necessárias para impulsionar a atividade, como a retomada do crédito, o aumento no número de parcelas pagas pelo seguro-desemprego, a queda mais acelerada dos juros e a retomada de obras públicas que estão paradas.

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