Indústria naval deve liderar contratações

"É uma febre", avalia Jorge Oliveira, 42 anos, metalúrgico que está em sua sétima incursão pelo estaleiro Fels Setal (antigo Setal) nos últimos 20 anos. "Não sei quando vai passar, mas uma hora definitivamente acaba", sentencia do alto da experiência de quem já teve de vender mamão nas esquinas de Niterói e se empregar na construção civil nos períodos em que as encomendas no setor naval praticamente evaporaram. Oliveira é um dos trabalhadores contemplados pela perspectiva de crescimento da indústria naval brasileira. Laercio Teixeira, de 35 anos, chefe de Processos da multinacional alemã Knorr Bremse, de São Paulo, também comemora uma boa fase no novo trabalho. Ele é um dos 35 profissionais que a Knorr- fabricante de sistemas de freio para caminhão - contratou nos últimos dois meses. A ampliação do quadro de funcionários se dá em razão do aumento da perspectiva de ter maior espaço no mercado nacional e internacional. Em novembro do ano passado, Teixeira foi dispensado de uma multinacional do mesmo ramo, após cinco anos de trabalho. "Disseram: você é sozinho, não é casado, não tem filhos, a empresa passa por dificuldades e precisa demiti-lo. É mais fácil para você do que para um pai de família." Agora, ele não só teve a chance de um novo trabalho como de contratar profissionais para sua equipe. Ainda distante do seu auge, quando empregou 40 mil metalúrgicos e chegou a exportar tecnologia e serviços, a indústria naval brasileira deve protagonizar entre 2003 e 2004 o papel de maior geradora de novos empregos. "O setor tem as quatro pré-condições para festejar: demanda, mão-de-obra qualificada, recursos próprios e parque industrial instalado", avalia o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos do Rio, Luiz Chaves. A expectativa é de que o setor, só com projetos de pequeno porte, atinja já neste ano a marca de 20 mil trabalhadores no Rio, ante 12 mil no início do ano passado e 15 mil atuais. A maior parte das novas vagas, entretanto, deve aparecer a partir do ano que vem, quando entram em fase efetiva de construção as plataformas P-51 e P-52 (primeiro semestre) e P-53 e P-54 (segundo semestre) da Petrobras. A estimativa é de que cada uma seja responsável por gerar em média 3 mil empregos diretos e outros 10 mil indiretos. Navios petroleirosOutro criador de empregos deve ser a Transpetro, que tem projetada a construção de 12 navios petroleiros e outros 20 de apoio, numa perspectiva de mais 10 mil postos de trabalho. Em seu plano estratégico para o período compreendido entre 2003 e 2007, a Petrobras prevê 140 mil empregos gerados entre diretos e indiretos com seus investimentos na ordem de US$ 29 bilhões no Brasil. O presidente da Manager, Ricardo Xavier, de São Paulo, explica que o setores de petróleo, químico e agroindustrial expandiram a produção e voltaram a contratar. "Mineração é um ramo que tem contratado engenheiros para para a área de logística e suprimentos", diz Andréia Quintella, consultora de Engenharia da Michael Page.

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