Indústria normaliza seus estoques, diz FGV

Segundo sondagem da FGV, o número de empresas que está com excesso de estoques caiu pelo 3º mês seguido e só três setores estão superestocados

O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2012 | 03h10

Sondagem de setembro da Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostra que a indústria de transformação já conseguiu, em geral, normalizar o seu nível de estoque de produtos. Apenas três setores mostram um quadro em que mais de 10% das companhias se avaliam como superestocadas: têxtil (11,8% se encontram nesta situação), material plástico (11,9%) e mecânica (14,0%).

Entre todas as empresas consultadas pela FGV na Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação de setembro, o porcentual de companhias que avaliam seus estoques como excessivos caiu pelo terceiro mês seguido. De agosto para setembro, essa parcela recuou de 6,4% para 6,1%. Em junho, 9,3% das empresas consultadas se diziam superestocadas. "A indústria normalizou os estoques", disse o superintendente adjunto de Ciclos Econômicos do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da FGV, Aloisio Campelo.

Bens de capital. No recorte da indústria por categorias de uso, as empresas de bens de capital são as únicas em que mais de 10% das companhias pesquisadas se colocam como em situação de estoques excessivos. Segundo Campelo, 12,9% delas relatam em setembro estoques acima do ideal. "Situação diferente da indústria de duráveis, que está em um ritmo bem forte e até com estoques insuficientes", conta Campelo.

O economista do Ibre diz que a indústria de um modo geral conseguiu normalizar seu nível de estoque em um momento de crescimento da demanda interna. O índice que mede essa variável no Índice de Confiança da Indústria (ICI) passou de 104,6 pontos em julho para 107,3 no mês seguinte e para 107,4 pontos em setembro. O indicador da demanda interna, porém, segue abaixo da média dos últimos 60 meses, que é de 111 pontos: "As empresas ainda não perceberam uma demanda muito forte. Ela ainda está ganhando fôlego".

A demanda externa segue em baixa por causa da crise internacional. O indicador de demanda externa caiu de 93,8 pontos em julho para 89,4 pontos em agosto e para 89,1 pontos em setembro. Como resultado dos indicadores internos e externos, a demanda global subiu de 103,5 pontos em agosto para 104,6 pontos em setembro.

Varejo. Mas o peso dos estoques ainda incomoda o varejo. Pesquisa da Confederação Nacional do Comércio (CNC) com 6 mil varejistas mostra que quase 20% das empresas do comércio consultadas informaram que tinham um volume de produtos acima do adequado no mês passado.

"O consumo antecipado e o estoque alto no varejo podem jogar areia no Natal", afirmou o chefe do Departamento Econômico da CNC, Carlos Thadeu de Freitas.

Entidades do comércio projetam elevação do volume de vendas em dezembro na casa de um dígito e inferior ao resultado obtido no mesmo mês de 2011, quando as vendas aumentaram 6,7% na comparação com 2010./WLADIMIR D'ANDRADE

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