Indústria paulista cortou 130 mil vagas em dezembro, diz Skaf

Presidente da Fiesp adianta resultados de pesquisa e diz que setor registrou fechamento de 7 mil vagas em 2008

Carolina Ruhman, da Agência Estado,

26 de janeiro de 2009 | 08h29

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, antecipou em entrevista no Grupo Estado, na manhã desta segunda-feira, 26, que no mês de dezembro houve uma redução de 130 mil postos de trabalho na indústria paulista.  Veja também: Assista à entrevista com o presidente da Fiesp Ouça a entrevista com Paulo SkafDesemprego, a terceira fase da crise financeira global De olho nos sintomas da crise econômica Dicionário da crise Lições de 29Como o mundo reage à crise   Ele relatou que a indústria começou a sentir os efeitos da crise a partir de outubro, quando a entidade começou a manifestar preocupação com os "efeitos nocivos" sobre o emprego.  Assim, a perda de 174 mil postos de trabalho na indústria paulista no último trimestre de 2008 eliminou o efeito positivo da criação de 167 mil vagas no acumulado do ano até setembro. A indústria paulista encerrou 2008 com o fechamento de 7 mil postos de trabalho, disse Skaf, em entrevista à TV Estadão. "Em outubro, novembro e dezembro perdemos tudo o que geramos e fechamos o ano com menos 7 mil (vagas)", disse Skaf.  Em entrevista à Rádio Eldorado, um poucos antes, ele afirmou que tem pedido uma série de medidas e desonerações fiscais ao governo para enfrentar a situação de crise. Skaf avaliou também que as medidas tomadas até o momento ajudaram, mas alertou: "o problema vem se agravando". "Estamos sob o ataque de uma grave crise", completou.  Leis trabalhistas O presidente da Fiesp negou que a entidade buscasse flexibilizar a legislação trabalhista e ressaltou que o objetivo das negociações com as centrais sindicais era apontar alternativas ao desemprego já previstas em lei. "O que queríamos era mostrar alternativas e quebrar paradigmas", disse, em entrevista à Agência Estado. Skaf insistiu que o objetivo da Fiesp era chegar a um entendimento entre as empresas e os sindicatos, não buscar um acordo com as centrais sindicais. Para ele, "a missão foi cumprida", pois estariam acontecendo "dezenas" de discussões entre patrões e empregados. "Lei não é para flexibilizar, lei se cumpre", destacou Skaf. Além de ressaltar que alguns mecanismos para evitar demissões já estão previstos em lei, como o banco de horas e a redução da jornada. "Mas precisa haver entendimento", frisou, acrescentando que a promoção deste entendimento era o objetivo da Fiesp. "Nós quebramos o tabu." Ele comentou em entrevista à TV Estadão a informação de que o Ministério Público do Trabalho em São Paulo expediu notificações para seis centrais sindicais e 16 federações de empregadores de São Paulo para que respeitem as leis trabalhistas ao incentivarem acordos ou convenções coletivas para a redução de jornada e salários. "O Ministério Público cumpre o seu papel, mas a lei está acima de tudo. Tudo aquilo que está previsto na lei e que haja entendimento entre as pessoas em um momento atípico como este deve ser aproveitado para minimizar o desemprego." Skaf insistiu que a Fiesp não suspendeu as negociações com sindicatos, apenas adiou os encontros para depois da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), feita na semana passada.  Manifesto Ele afirmou ainda que a Fiesp vai divulgar nesta tarde um manifesto conjunto com a Federação do Comércio do Estado de São Paulo, a Federação da Agricultura do Estado de São Paulo e seis centrais sindicais pedindo a redução do intervalo das reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) de 45 dias para 15 dias. "O momento atípico justifica as reuniões a cada 15 dias", argumentou Skaf, em entrevista à Rádio Eldorado. "Estamos pedindo que o Banco Central promova reuniões extraordinárias rapidamente ou que as reuniões ordinárias passem a ser a cada 15 dias", explicou Skaf. O manifesto pede que o Banco Central (BC) reduza a taxa de juros dos atuais 12,75% para 8%, nível considerado adequado pelas entidades. O manifesto defende ainda a ampliação do número de integrantes do Conselho Monetário Nacional (CMN) de três para sete. "Podem ser pessoas de outras áreas do governo, pessoas da academia, como pessoas das forças produtivas", citou. Integram o CMN o presidente do BC, o ministro da Fazenda e o ministro do Planejamento. Além das três federações paulistas, assinam o manifesto a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Força Sindical, a Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), a União Geral dos Trabalhadores (UGT), a Nova Central Sindical de Trabalhadores e a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB). "Isso mostra que há diálogo entre todos nós. O momento tem que ser de diálogo", destacou Skaf.

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