Indústria paulista fechou 3,5 mil vagas em maio

Diretor da Fiesp classificou como ''frustrante'' o resultado de maio e disse que ''na melhor das hipóteses, a situação do emprego ficará estável em junho''

Ricardo Leopoldo, O Estadao de S.Paulo

18 de junho de 2009 | 00h00

Depois de fechar 3,5 mil vagas em maio, a indústria de São Paulo prevê estabilidade no nível de emprego a partir de julho, de acordo com o diretor do Departamento Econômico da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Francini. "Na melhor das hipóteses, a situação do emprego ficará estável em junho; num cenário realista, acredito que isso deve ocorrer em julho", comentou. Francini afirmou que via com "frustração" o quadro do emprego em maio, de retração de 7,35% ante o mesmo mês de 2008. Em razão da fraca demanda agregada, o indicador de confiança dos empresários apurado pela Fiesp, a pesquisa Sensor, registrou 50,8 pontos na primeira quinzena de junho, o que representou uma queda em relação aos 53,2 pontos apurados nos primeiros 15 dias de maio e aos 51,4 pontos da segunda metade de maio. Para o diretor da Fiesp, boa parte do quadro do mercado de trabalho da indústria paulista está relacionada à retração das exportações, afetadas pela recessão mundial. Segundo ele, o consumo interno, mesmo que em ritmo lento, está propiciando resultados que não permitem o aumento das demissões. No ano, o setor fechou 46 mil postos e Francini acredita que o resultado não ficará positivo no saldo final de 2009. Entre os setores que em maio dispensaram mais funcionários do que admitiram estão o de metalurgia e o de produtos de metal (exceto máquinas e equipamentos), com 1.333 e 1.329 vagas, respectivamente. Como esses setores fabricam produtos utilizados especialmente em bens duráveis, como chapas de aço, isso dá uma indicação de que o consumo da população não apresenta uma recuperação vigorosa. Mas, para Francini, o mercado doméstico não está tão ruim, pois, diante da conjuntura internacional, as vendas do varejo apresentaram recuo de 0,2% em abril, ante março. "O mercado interno não é a glória por estar crescendo nem o inferno por estar caindo", disse. Ele destacou que é comum, na visão dos empresários, a ideia que os efeitos mais graves da crise sobre a indústria paulista já passaram. "O mundo está um pouco mais aliviado do que há três meses", disse. "Mas isso não significa que estamos numa situação confortável. Ainda há o temor de que alguma coisa ruim possa ocorrer na economia (global)." Para o diretor da Fiesp, dificilmente o Produto Interno Bruto (PIB) do País terá um resultado positivo este ano, embora tenha ressaltado que essa avaliação é pessoal e não da Fiesp. Mas ele pondera que no último trimestre o Brasil estará registrando uma expansão em termos anualizados bem mais perto da normalidade.Os investimentos, no entanto, só devem apresentar retomada no começo de 2010, quando haverá um cenário mais claro sobre a reativação do consumo doméstico, além de alguma melhora do mercado exportador. Francini destacou que vários empresários estão tentando avaliar como ficará o mundo depois da crise. Segundo ele, a recessão global foi, em boa parte, causada por investimentos em "riqueza fictícia", que geraram bolhas de consumo, como a imobiliária, nos EUA.

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