Indústria paulista prevê produção de -1% em 2002

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) reviu para baixo, pela quinta vez no ano, a previsão do Indicador do Nível de Atividade (INA) de 2002, devido à baixa produção do mês de agosto, 3% menor do que a de julho. "Vai ser muito bom se terminarmos o ano com um INA de menos 1% (ante o ano passado). Agosto foi um mês muito ruim", afirmou a diretora de pesquisas e estudos econômicos da entidade, Clarice Messer, Clarice Messer. Será o pior ano desde de 99, quando o INA foi de menos 4,21%.Em janeiro, a Fiesp previu um INA de 2,5% para o ano, índice igual ao registrado em 2001 ante 2000. De lá para cá, a previsão foi alterada em março (para entre 1,5% e 2%), em maio (para 1%), em julho (para 0%), e neste mês. Segundo ela, será uma vitória se o INA fechar em menos 1%, uma vez que no acumulado de janeiro a agosto o índice registra queda de 3,2% ante igual período do ano passado. "Muitas vezes o pico da produção anual se dá em agosto. Como este agosto está completamente fora do natural, será difícil uma recuperação maior", disse.A diretora afirmou que o principal motivo para a expressiva queda registrada em agosto foi o acerto dos estoques. "As vendas baixas deixaram os estoques muito alto, então as empresas tiveram que diminuir a produção para regular os estoques", disse.Em agosto, as vendas caíram 2,4% ante julho, mesma queda registrada em relação a agosto do ano passado. No período de janeiro a agosto deste ano, as vendas recuaram 2,3% sobre o mesmo período do ano passado.A previsão da diretora é que setembro tenha sido um mês "menos pior do que agosto". "Nos números de setembro o que vamos ver é um ajuste de estoque muito mais leve", afirmou Clarice, lembrando, no entanto, que foi um mês de alta volatilidade no câmbio e muita deterioração na confiança do empresariado. De acordo com ela, outubro é que será um mês chave. "É um mês de ansiedade, devido às eleições e também à expectativa de fim de ano", disse.Em agosto, os três setores entre os 11 analisados que tiveram um pior desempenho e puxaram o INA para baixo foram o de material de transporte, material elétrico e eletrônico e mecânica, três áreas de grande importância na indústria paulista. O setor de material de transporte teve em agosto uma atividade 6,4% menor do que em julho e 10,4% abaixo da de agosto de 2001. No acumulado de janeiro a agosto, o setor registra queda de 7,1%, ante o mesmo período de 2001. Segundo Clarice, a explicação para o mau desempenho desse setor, que inclui autopeças e montadoras, é a instabilidade econômica, a baixa renda e a falta de crédito.O segmento de material elétrico e eletrônico teve uma queda de 6,1% em agosto ante julho e de 33% em relação a agosto de 2001. No acumulado do ano, a queda chega a 21,3%. "A área de telecomunicações está muito mal e também a de material elétrico para a construção civil. A soma dos dois explica o péssimo desempenho da área", disse. No setor de mecânica, a queda foi de 4% em agosto ante julho, de 4,5% no mês em comparação com agosto de 2001, e de 1,2% de janeiro a agosto em relação ao mesmo período do ano passado. Conforme a diretora, a queda do desempenho do setor, que vinha bem durante o ano, se deve à deterioração das expectativas dos empresários, que, segundo pesquisa Vox Populi divulgada no mês passado pela Fiesp, deixariam de investir, principalmente na compra de máquinas e equipamentos.

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