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Indústria perde espaço no mercado mundial

Em dez anos, o Brasil caiu do 26.º para o 32.º lugar entre os maiores exportadores mundiais de manufaturados, segundo o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). Ficou atrás não apenas das maiores economias exportadoras, como China, Alemanha e Estados Unidos, que juntas representam quase 40% das vendas globais de produtos industrializados, mas de outras de menor porte, como Suíça, Malásia e Tailândia.

O Estado de S. Paulo

22 de novembro de 2015 | 03h00

O Brasil respondia por 0,85% das exportações de manufaturas em 2006, porcentual que caiu para apenas 0,61% em 2014. E é possível que esse patamar diminua ainda mais neste ano, pois as exportações de produtos industriais demoram para sentir os efeitos positivos da desvalorização do real ante o dólar.

Nos últimos 30 anos, o peso das exportações de manufaturados brasileiros no comércio global tem oscilado entre 0,6% e 0,8%, segundo outros estudos do Iedi. O problema é que, sem contar mais com as cotações favoráveis das commodities em que o País tem alta competitividade para sustentar as exportações, parece indispensável fortalecer a competitividade dos manufaturados para não perder ainda mais peso no comércio global. Nas exportações totais, o Brasil reduziu seu peso no mundo de 1,3% em 2013 para 1,2% em 2014.

O aumento de exportações depende de custos menores de logística, burocracia fiscal e tributária menos asfixiante, elevada qualificação profissional e custos razoáveis de mão de obra. Há obstáculos ao ingresso de pequenos e médios produtores no setor. A oferta de crédito do BNDES beneficia mais grupos escolhidos pelo governo, caso de produtores de aviões, carnes e celulose.

A política cambial recente favoreceu importações e afetou a disposição de investir para o mercado interno. Estudo baseado nas Penn World Tables, estatísticas globais feitas na Universidade de Pennsylvania, mostrou o aumento dramático do custo do investimento no País. Em 1985, era mais barato investir no Brasil do que nos Estados Unidos, por exemplo. Em 2000, o Brasil já ficava abaixo de China, Índia, Rússia e África do Sul, mas acima dos integrantes do G-7 e dos países europeus. Em 2011, investir no Brasil só era menos caro do que na Suíça, na Noruega, na Austrália, em Honduras, na Suécia, na Costa Rica e no Japão.

Sem investir pesadamente, a indústria brasileira não tem como disputar o mercado global em tempos de ritmo econômico lento.

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