Indústria prevê alta de 27% na energia

Indústria prevê alta de 27% na energia

Projeção para 2015 é do Sistema Firjan, do Rio, e leva em conta necessidade das distribuidoras de honrar os empréstimos bilionários recebidos

ANDRÉ MAGNABOSCO, O Estado de S.Paulo

16 Dezembro 2014 | 02h04

O Sistema Firjan, da Federação das Indústrias do Rio, projeta elevação média de 27,3% no custo da energia paga pela indústria brasileira em 2015, na comparação com este ano. O aumento viria, principalmente, da necessidade de maiores reajustes das tarifas para que as distribuidoras de energia consigam honrar os empréstimos bilionários concedidos pelo governo federal e por bancos em 2013 e 2014. Para 2016, espera-se novo aumento médio, mas de 7,5%.

As previsões divulgadas ontem indicam que a energia paga pela indústria nacional custará em média R$ 459,20 por megawatt-hora (MWh) em 2015, ante R$ 360,70/MWh neste ano. A variação de quase R$ 100/MWh viria principalmente do ajuste das tarifas aos empréstimos às distribuidoras (R$ 43,3/MWh) e da adoção do sistema de bandeiras tarifárias (R$ 41/MWh).

Os problemas enfrentados pelo setor elétrico neste momento têm origem na falta de chuvas, na decisão do governo federal de apostar na construção de projetos hídricos sem grandes reservatórios e intermitentes e em problemas oriundos da Medida Provisória 579, a MP da renovação das concessões.

O texto, que em um primeiro momento contribuiu para redução média de 20% na tarifa de energia, estimulou na sequência um cenário de descontratação das distribuidoras. Para honrar compromissos, as empresas precisaram comprar energia no mercado de curto prazo a custos elevados e utilizaram recursos de bancos e do Tesouro.

Os repasses ao setor somaram R$ 29,5 bilhões, dos quais R$ 11,7 bilhões do Tesouro e R$ 17,8 bilhões de instituições financeiras. Esse montante será compensado no decorrer dos próximos anos, com reajustes maiores das tarifas das concessionárias de energia, acrescidos dos juros das operações.

Já a bandeira tarifária prevê um adicional nas tarifas sempre que o custo de geração de energia subir. Serão três categorias (bandeiras verde, amarela e vermelha), nas quais o consumidor pagará, a partir de janeiro de 2015, R$ 3 para cada 100 quilowatts-hora com a bandeira vermelha e R$ 1,50 por 100/kWh na amarela. A bandeira verde não prevê taxa extra, porém a Firjan acredita que os anos de 2015 e 2016 devem se caracterizar pela incidência da bandeira vermelha por todo o período.

O cenário traçado pelo Sistema Firjan também considera a expectativa de que o nível dos reservatórios das usinas vai se recuperar apenas em 2017, por isso o acionamento das térmicas deve permanecer em 2015 e 2016. A quarta premissa apresentada no estudo "Quanto custará a energia elétrica para a indústria no Brasil?" é a inserção de fontes mais baratas na matriz elétrica nacional, conforme previsto no Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

Diante da crescente trajetória de custos da energia no Brasil, a Firjan propõe a isenção para a indústria de tributos sobre o aditivo tarifário trazido pelos aportes e empréstimos. O custo médio da energia em 2015, nesse cenário, ficaria em R$ 447,60/MWh, 2,5% abaixo do previsto inicialmente. "As indústrias não conseguem mais suportar aumento de preço em um de seus insumos mais importantes", destacou em nota o gerente de Competitividade Industrial e Investimentos da Firjan, Cristiano Prado.

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