Indústria prevê crescimento moderado da produção

As avaliações do empresariado brasileiro sobre a situação atual da indústria são de um crescimento moderado da produção. A informação consta da 160º Sondagem Conjuntural da Indústria da Transformação, referente ao segundo trimestre, divulgada nesta segunda-feira pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Da pesquisa anterior, referente ao primeiro trimestre, caiu de 18% para 14% a parcela dos empresários entrevistados que classificam como forte a demanda atual. No mesmo período de comparação, subiu de 16% para 26% o porcentual dos pesquisados que a consideram como fraca. No quesito sobre estoques, caiu de 5% para 4% os entrevistados que classificam como insuficiente o nível de estoques atual. Já os que consideram excessivo subiu de 9% para 11%. O levantamento é realizado trimestralmente. Neste levantamento, foram pesquisadas 935 empresas entre os dias 29 de junho a 27 de julho. A prévia dos resultados da sondagem foi anunciada no dia 12 de julho. De acordo com comunicado da FGV, "as avaliações sobre situação presente retratam um quadro semelhante ao do mesmo período no ano passado". A FGV informou ainda que, caiu de 27% para 16% a parcela dos pesquisados que classificam como boa a situação atual dos negócios. No mesmo período, subiu de 20% para 24% o porcentual de entrevistados que a consideram como fraca. Próximos meses Ainda, segundo a pesquisa, as previsões para os próximos meses são favoráveis e as "melhores desde a virada do ano". Da sondagem referente ao segundo trimestre do ano passado para o levantamento de igual trimestre este ano, caiu de 47% para 46% a parcela dos entrevistados que esperam aumento na demanda no terceiro trimestre. Porém, no mesmo período de comparação, passou de 16% para 14% o porcentual de pesquisados que aguardam redução na demanda. Da sondagem do segundo trimestre de 2005 para a pesquisa referente ao segundo trimestre de 2006, permaneceu em 49% a fatia dos entrevistados que prevêem aumento na produção no terceiro trimestre deste ano. No mesmo período de comparação, caiu de 16% para 11% a parcela dos pesquisados que esperam redução na produção, no penúltimo trimestre deste ano. Mercado de trabalho No mercado de trabalho os prognósticos também são favoráveis. Subiu de 24% para 26% a parcela dos entrevistados que esperam melhora no nível de emprego no terceiro trimestre, da pesquisa referente ao segundo trimestre de 2005 para a sondagem referente ao segundo trimestre deste ano. No mesmo período de comparação, caiu de 15% para 13% o porcentual de pesquisados que esperam piora no nível de emprego, no terceiro trimestre. Para o segundo semestre, permaneceu em 54% a parcela dos pesquisados que aguardam melhora na situação dos negócios, nos próximos seis meses. No mesmo período de comparação, caiu de 11% para 10% a parcela dos que prevêem piora nos negócios, no segundo semestre. Os resultados da sondagem da indústria sobre previsões são sempre comparados com as respostas registradas em igual período no ano passado - com exceção do tópico sobre os próximos seis meses, que é comparado com a pesquisa imediatamente anterior. Capacidade instaladaConforme a FGV, o patamar de uso da capacidade instalada da indústria ficou em 84,5% no segundo trimestre deste ano, acima do registrado no primeiro trimestre (83,7%) e do apurado em igual período no ano passado (84,4%). De acordo com a pesquisa, ao detalhar os porcentuais de uso da capacidade instalada na indústria da transformação por categorias, na série com ajuste sazonal, o destaque ficou por conta de bens intermediários, que atingiram patamar de 87,7% no segundo trimestre, acima do apurado na pesquisa anterior, referente ao primeiro trimestre deste ano (86,3%); e superior ao verificado em igual período no ano passado (87,1%). Em segundo lugar, ficou a categoria de material de construção, com uso de capacidade em 85,9% no segundo trimestre deste ano, acima do apurado no primeiro trimestre (84,9%) e superior ao apurado em igual período no ano passado (81,6%). Em terceiro está a indústria de bens de capital, com utilização de capacidade instalada em 83,6% no segundo trimestre, acima do apurado no primeiro trimestre (81,6%) e do registrado em igual período no ano passado (82,2%). Por fim, a indústria de bens de consumo ficou com 79,4% em uso de capacidade instalada - contra (78,5%) do primeiro trimestre e 81,7% de igual período do ano passado. Estabilidade econômica A estabilidade econômica fez com que o uso da capacidade instalada da indústria da transformação em julho deste ano ficasse em 84,9% na série sem ajuste sazonal - sem considerar os efeitos de determinadas épocas do ano. Este é o maior patamar de utilização de capacidade instalada para um mês de julho desde 1980, quando atingiu nível de 85%, ainda na série sem ajuste sazonal. A análise é do economista da FGV Aloísio Campelo. "O nível de utilização de capacidade instalada está alto. Na nossa opinião, a estabilidade econômica faz com que a indústria opera com níveis de utilização mais altos, visto que não há crises, nem choques", explicou o economista. Ele lembrou que, durante a década de 70, período de estabilidade na economia brasileira, a indústria operou com uso de capacidade acima de 90% por quase um ano. No cenário atual, entre os fatores que também contribuíram para esse cenário de alto nível de capacidade instalada são os avanços tecnológicos, de acordo com Campelo. "Com os avanços na tecnologia, quando a indústria quer expandir rapidamente o seu nível de utilização, ela consegue, hoje", avaliou. Entre os setores que estão impulsionando o alto nível de capacidade instalada, ao final do segundo trimestre, estão os de metalurgia (93,4% de uso de capacidade instalada); celulose (93,6% de uso) e minerais não-metálicos (86,8% de uso). Ao avaliar a série com ajuste sazonal, os resultados também são positivos, segundo Campelo. De acordo com ele, na série livre de influências sazonais, há 11 trimestres consecutivos a indústria está operando acima da média histórica, que é de 81,3%; e desde janeiro de 2003, o uso da capacidade está acima de 80%. Aumento de preços Ainda, segundo a FGV, o porcentual de empresas que pretendem elevar os preços no terceiro trimestre é de 34%, ante fatia de 28% apurada na pesquisa anterior, referente ao primeiro trimestre deste ano. Já a parcela dos entrevistados que pretendem reduzir os preços subiu de 10% para 17%. Segundo Campelo, a possibilidade do aumento de preços é uma resposta aos baixos ganhos do setor. "Há muitas reclamações de perdas de margens. E uma das formas de recuperação de margens é a de elevar os preços", afirmou. Ele considerou, porém, que ao analisar o cenário como um todo, a situação não é preocupante. Campelo lembrou que os últimos resultados de preços no atacado, medidos pelos Índices Gerais de Preços (IGPs), mostram taxas muito baixas desde o início do ano. "A inflação industrial no atacado, nos últimos meses, foi muito baixa. Mas se fôssemos usar um termômetro para medir (esse impacto da inflação), não é uma temperatura muito alta, está em 37 graus (celsius)", afirmou. O economista considerou que, de acordo com os dados da pesquisa, há uma possibilidade de a inflação no atacado nos próximos três meses seja um pouco maior do que a registra nos últimos três meses."Creio que há um cenário não tão benigno para a inflação no terceiro trimestre, por causa dessas previsões. Mas também não chega a ser tão maligno", opinou, acrescentando que esse patamar de cerca de um terço das empresas projetando alta de preços, nos próximos três meses, não é incomum no âmbito da pesquisa.Demanda A FGV explicou também que, no caso da demanda, as previsões do empresariado brasileiro para o terceiro trimestre são mais favoráveis para o mercado interno do que para o mercado externo. De acordo com a pesquisa, 49% das empresas pesquisadas esperam aumento na demanda interna no terceiro trimestre deste ano; e 11% das companhias entrevistadas projetam redução na demanda interna, no mesmo período. Já no caso da demanda externa, 32% das empresas entrevistadas aguardam aumento na procura externa no terceiro trimestre; e 17% das companhias estimam redução na demanda externa, no penúltimo trimestre do ano. Este texto foi atualizado às 15h18.

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