Indústria prevê melhora, mas só para daqui a seis meses, diz FGV

Índice de Confiança da Indústria em abril fechou em 0,3%, abaixo da expansão de 0,5% de março

FRANCISCO CARLOS DE ASSIS, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2012 | 03h04

Apesar de, no curto prazo, a confiança da indústria estar crescendo a um ritmo lento, para o horizonte de seis meses as expectativas apontam para um cenário melhor para o setor, afirmou ontem o coordenador da Sondagem da Indústria de Transformação da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Aloísio Campelo.

De acordo com o levantamento, feito entre os dias 2 e 24 deste mês com 1.147 empresários do setor, o Índice de Confiança da Indústria (ICI) em abril fechou em 0,3%, abaixo da expansão de 0,5% de março. Já o Índice de Expectativa (IE) avançou só 0,2% sobre março e as perspectivas de emprego (-2,7%) e produção física (-0,8%) para os próximos três meses continuam pouco animadoras, mas a situação dos negócios para os próximos seis meses cresceu 4,4% em abril sobre março, após ter subido em março apenas 0,4% ante fevereiro.

De acordo com Campelo, a melhora na expectativa dos empresários em relação à situação dos negócios para daqui a seis meses está sendo influenciada pelas medidas de estímulo à indústria adotadas pelo governo, redução da taxa Selic e dos juros bancários e expansão do crédito.

Efeitos demorados. Os empresários, de acordo com Campelo, sabem que algumas das medidas de apoio à indústria adotadas agora devem surtir efeitos no período de quatro a seis meses. "No curto prazo, a confiança é menor porque o empresário sabe que muitas destas medidas só devem dar resultado daqui a três meses", disse.

Com relação ao crédito, a Sondagem da FGV perguntou aos 1.147 empresários que participaram do levantamento qual era o grau de dificuldade para acessar crédito. Em abril, 11% disseram estar mais difícil obter crédito, porcentual inferior aos 17% que a pesquisa apurou em março.

De acordo com Campelo, o comprometimento da renda disponível do consumidor com pagamento de impostos, mensalidades e material escolar e os resíduos de despesas com férias levaram a uma redução da demanda, o que afetou a confiança do empresário da indústria em abril.

Campelo também informou que o processo de ajuste de estoques está quase concluído, depois de ter atingido seu pior momento entre outubro e novembro de 2011, mas ainda existem alguns poucos setores com níveis excessivos.

É o caso do setor automotivo. Na categoria de caminhões e ônibus, em abril, 24,7% dos empresários do setor disseram estar com estoques elevados, ante 2,1% em março, 7,1% em fevereiro e 10,1% em novembro de 2011. "É o pior nível de estoque excessivo para o setor desde junho de 2009, quando atingiu 25,2%."

No caso dos automóveis, 13,4% dos industriais responderam estar com estoques excessivos em abril, ante 7,7% em março. Já no ramo de peças e acessórios para veículos, o nível de estoques foi considerado excessivo por apenas 0,2% dos empresários em abril, ante 0,6% em março e 1,2% em abril de 2011.

"No processo de recuperação da confiança da indústria, as variáveis-chaves são estoques e demanda. Nossa percepção é a de que o ajuste dos estoques já teria ocorrido, mas de forma heterogênea, pois alguns setores ainda estão superestocados", afirmou.

Capacidade instalada. O nível de utilização da capacidade instalada (Nuci) da indústria de transformação, com ajuste sazonal, atingiu em abril 83,9%, ante variação de 83,8% em março, informou a FGV. Este é o maior nível registrado desde julho de 2011, quando o Nuci atingiu 84,1%.

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