Fabio Motta/Estadão - 12/6/2018
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Produção industrial recua 0,6% em outubro, na 5º queda seguida

Principais quedas na produção industrial de outubro foram registradas pelas indústrias extrativas (8,6%) e por produtos alimentícios (4,2%)

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

03 de dezembro de 2021 | 09h32
Atualizado 03 de dezembro de 2021 | 13h17

RIO - A indústria brasileira mostrou perdas generalizadas em outubro. A produção encolheu 0,6% em relação a setembro. O setor já acumula uma perda de 3,7% em cinco meses de recuos consecutivos, mostram os dados da Pesquisa Industrial Mensal, divulgados nesta sexta-feira, 3, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O desempenho negativo surpreendeu analistas do mercado financeiro ouvidos pelo Projeções Broadcast, que esperavam uma alta mediana de 0,7%.

A produção industrial ajuda a compor um cenário de atividade fraca que deverá segurar a taxa básica de juros no País, avaliou o economista-chefe da Necton Investimentos, André Perfeito.

“Os dados mostram que começamos o quarto trimestre de 2021 com sinais ruins e que pode jogar para baixo a atividade este ano”, afirmou Perfeito.

A combinação de juros em alta e a falta de um plano claro por parte da administração federal têm cobrado um preço elevado na atividade no País, tendência que deve continuar, prevê o economista-chefe da Necton.

 

“Não há espaço para melhora no curto prazo. A atividade fraca deve segurar os juros no País, afinal, o trabalho sujo da Selic (taxa básica de juros), que é segurar a economia, já está sendo feito pela combinação de vários fatores”, reparou Perfeito, que mantém, por ora, a projeção de alta de 0,3% no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2022.

Na passagem de setembro para outubro, 19 das 26 atividades industriais pesquisadas registraram retração.

“O dado veio mais fraco do que a gente esperava”, disse o economista-chefe do C6 Bank, Felipe Salles. “Quando olhamos o comportamento dos setores foi de fato uma surpresa. Não tivemos um setor ou outro com queda grande; foi generalizado”, completou.

Para os próximos meses, Salles considera que a tendência seja a indústria andar de lado, com chance de continuar em trajetória de queda.

“Mês a mês o setor vem perdendo intensidade, diminuindo seu patamar de produção”, frisou André Macedo, gerente da Coordenação de Indústria do IBGE.

De janeiro a outubro de 2021, a indústria cresceu em apenas dois deles: janeiro e maio. Com o desempenho negativo de outubro, a indústria opera atualmente em patamar 4,1% inferior ao de fevereiro de 2020, no pré-pandemia. Quando ainda crescia, em janeiro deste ano, a indústria alcançou um saldo positivo de 3,7% em relação ao pré-covid.

Em outubro, a produção industrial estava 20,2% abaixo do patamar recorde alcançado em maio de 2011. O nível atual de produção é semelhante ao de dezembro de 2008. O desempenho permaneceu negativo em outubro afetado tanto por problemas de oferta quanto de demanda. Nem as encomendas para as vendas de Natal e Black Friday foram suficientes para impulsionar a produção este ano, ressaltou André Macedo, do IBGE. Ao longo do segundo semestre, tradicionalmente aumentam as encomendas do varejo à indústria por itens para as promoções e festas de fim de ano.

“Pelo lado do próprio processo de produção, a gente tem toda a desarticulação da cadeia produtiva. Ainda se identifica desabastecimento de matérias-primas e insumos básicos para a produção final, o encarecimento desse processo de produção. A gente vê plantas industriais dando férias coletivas, diminuindo jornada de trabalho”, relatou Macedo.

O pesquisador cita ainda a demanda doméstica deprimida, como consequência da corrosão da renda das famílias pela inflação elevada, alta de juros provocando encarecimento do crédito, e o mercado de trabalho ainda difícil, com desemprego, precarização de postos de trabalho e massa de renda sem avanços.

“Para além disso tudo, tem fatores pontuais que ajudam a explicar algumas atividades, como os efeitos climáticos adversos afetando a cana-de-açúcar e a restrição à carne bovina (embargo da China às exportações brasileiras de carne bovina), que vêm impactando a produção de alimentos”, acrescentou Macedo. / COLABORARAM FRANCISCO CARLOS DE ASSIS e MARIANNA GUALTER

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