Indústria produz pouco às vésperas do fim do ano

Outubro e novembro são, sazonalmente, os meses de maior produção de manufaturados, pois nesse período as máquinas industriais trabalham a todo vapor para entregar as encomendas feitas pelo comércio no terceiro trimestre. Mas entre setembro e outubro, ante a fraqueza do mercado interno, os sinais de melhora industrial foram incipientes. E, na comparação anual, ainda mais fracos, segundo a última Sondagem Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O Estado de S.Paulo

25 de novembro de 2014 | 02h04

O índice de evolução mensal passou de 49,7 pontos, em setembro, para 50,8 pontos, em outubro. Deixou, portanto, o campo negativo para o positivo (o corte é de 50 pontos). Mas em outubro de 2013 o indicador apontava para 54,5 pontos, ou seja, era 7,2% maior. E 2013 também foi um ano pouco satisfatório para a economia brasileira, pois o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 2,5% e a produção industrial avançou 2%.

Na comparação mensal, outros indicadores - de número de empregados, utilização da capacidade instalada e estoques - também apresentaram evolução, mas, em todos os casos, muito pouco significativa. E as expectativas para novembro pioraram muito.

No mês, o indicador de demanda caiu de 52,3 pontos para 50 pontos - o que significa estagnação. O de número de empregados já era baixo (46,9 pontos) e declinou mais, para 46,4 pontos. E foram acentuadas as quedas de expectativa de compras de matérias-primas (de 50,1 pontos para 47,9 pontos) e de quantidades exportadas (de 50,1 pontos para 48,2 pontos).

O quadro revela que a desvalorização do real não influi, como se esperava, sobre as vendas externas da indústria. Parecem pesar mais fatores tais como os altos custos de produzir e exportar, as deficiências de infraestrutura e a dificuldade de competir com fornecedores que têm custos mais baixos e investem mais em inovação, além de estarem mais bem integrados do que o Brasil nas cadeias de exportação, nas quais cada qual produz onde é mais eficiente, sem distinção de país.

A pressão é maior sobre a indústria extrativa, cuja produção estava no campo positivo em setembro e em outubro, mas cujas expectativas pioraram com a queda das cotações das commodities: a demanda esperada caiu quase 10%, de 49,7 pontos, em outubro, para 45 pontos, em novembro.

Poderá ser até conservadora a expectativa de que o produto industrial cairá 2,3% em 2014.

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