Indústria quer salvaguardas contra chineses

Dirigentes empresariais da indústria cobraram ontem do governo a adoção de medidas de salvaguardas e antidumping contra as importações de produtos chineses, principalmente têxteis. Os ministros da Fazenda, Antonio Palocci, e do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, tiveram que ouvir por uma hora reclamações dos empresários contra o que eles classificam de "invasão" da China no Brasil. O encontro com os ministros aconteceu após a reunião extraordinária do Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI), no Palácio do Planalto. O presidente da Confederação da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, afirmou que o Brasil precisa se "armar" contra os chineses. "A China tem condições que desequilibram o processo de concorrência: tem um câmbio desvalorizado, ao contrário do Brasil, e não tem encargos sobre mão-de-obra", disse Monteiro Neto. Confiante no resultado da reunião, ele espera para breve a regulamentação da aplicação de salvaguardas contra os produtos chineses e a adoção de medidas antidumping. "O ministro Furlan está examinando o problema, que passou a ser compreendido também pelo ministro Palocci. Tenho certeza que serão tomadas medidas de forma ágil antes que a situação se agrave", afirmou. Para Monteiro Neto, o Brasil não pode ficar "desarmado" esperando compensações e investimentos chineses "ao preço do desmonte de setores da indústria brasileira que estão ameaçados", numa crítica à decisão do Brasil de conceder status de economia de mercado à China. "A relação com China ganhou uma conotação mais política com o reconhecimento do status de economia de mercado, mas agora, quando conhecemos a situação, e sobretudo o seu reflexo na indústria, (isso) reclama uma ação efetiva do governo", cobrou. Na sua avaliação, a preocupação da indústria com incremento das importações dos produtos chineses preocupa porque a China tem condições econômicas que desequilibram o processo de concorrência. Segundo ele, as importações da China de produtos manufaturados estão crescendo de maneira "exponencial" e ameaçando setores que são competitivos, como o têxtil. O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, e dirigentes da Associação Brasileira da Indústria Têxtil também participaram da reunião.O presidente da CNI também voltou a criticar a valorização do real em relação ao dólar e a alta dos juros. Segundo ele, a CNI já reviu de 4% para 3% sua estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, considerando o efeito da elevação dos juros que está desacelerando a economia. "Temos dois preços, juros e câmbio, que conspiram contra o crescimento", disse ele.

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