Indústria reagiu bem a um ano difícil, avalia o IBGE

O chefe do Departamento de Indústria do IBGE, Silvio Sales, disse que o crescimento de 2,4% da produção industrial no ano passado é "modesto" e insuficiente para gerar empregos, "mas no contexto em que ocorreu é um número significativo". Para ele, a indústria reagiu bem a um ano difícil, marcado pela forte desvalorização do real, aumento do risco Brasil e da inflação e realização de eleições presidenciais. Segundo Sales, o crescimento esteve "mais apoiado no dinamismo externo do que na demanda interna". O economista sublinhou que as exportações, a produção de petróleo e gás e a agroindústria foram preponderantes para garantir a expansão da produção industrial em 2002. "Há semelhança entre os setores que lideraram a produção e os que mais exportaram", destacou. Como exemplo, citou que as vendas externas em valor da indústria extrativa mineral cresceram 29,78% no ano passado - puxadas especialmente por petróleo, com aumento em valor de 134,6% - e o setor foi o principal destaque da produção industrial no período, com aumento de 10,7%. O desempenho da indústria brasileira em 2002 superou o de vários países, segundo destacou Sales. Enquanto a produção industrial do País cresceu 2,4% no ano passado, houve queda no período na produção do setor na Argentina (-10,6%), nos Estados Unidos (-0,6%) e no Japão (-1,5%). Sales recolheu os dados do FMI. Desempenho bem superior ao do Brasil foi registrado na Coréia, onde a produção cresceu 7,3%. Mesmo para os países que só tornaram disponíveis até a realização da pesquisa de Sales os dados de janeiro a novembro, os dados brasileiros se destacam. Nesse período, a produção industrial brasileira havia acumulado expansão de 2,1%, ante quedas na Alemanha (-2,0%), Inglaterra (-3,6%) e México (-0,5%). Houve crescimento similar no período até novembro no Chile (2,1%) e estabilidade na Espanha (0,1%).

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