Gabriela Biló/Estadão - 26/9/2018
Gabriela Biló/Estadão - 26/9/2018

Produção industrial cai 1,3% em julho, com recuo em bebidas e alimentos

Desemprego alto, retração da renda e inflação explicam o resultado, segundo o IBGE; setor de veículos automotores também registrou queda

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

02 de setembro de 2021 | 09h44
Atualizado 02 de setembro de 2021 | 13h46

RIO - Sob as pressões de efeitos secundários da pandemia de covid-19 e da redução na demanda doméstica, a indústria brasileira começou o terceiro trimestre no vermelho. A produção recuou 1,3% em relação a junho, depois de já ter encolhido 0,2% no mês anterior, segundo os dados da Pesquisa Industrial Mensal, divulgados nesta quinta-feira, 2, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Dos sete primeiros meses de 2021, a indústria cresceu em apenas dois deles: janeiro e maio. Na passagem de junho para julho, houve redução na produção de 19 dos 26 ramos industriais pesquisados, com destaque para as perdas no setor de bebidas, alimentos e veículos. “Tem todo um desarranjo das cadeias produtivas. Escassez de insumos, encarecimento do processo produtivo”, citou André Macedo, gerente da Coordenação de Indústria do IBGE.

 


Ao mesmo tempo, ele lembra que a demanda doméstica vem prejudicada pelo alto nível de desemprego, pela precarização de postos de trabalho, pela diminuição de salários e pela corrosão da renda das famílias pela inflação.

“A questão do desarranjo das cadeias produtivas, do desabastecimento de matéria-prima, é o caso mais evidente do setor de veículos, que afeta muito o resultado de bens de consumo duráveis. Os segmentos mais associados à demanda doméstica, ao nosso consumo do dia-a-dia, têm mostrado também comportamento negativo, como é o caso dos alimentos e de bebidas”, explicou Macedo.

A redução do valor e do alcance do auxílio emergencial pago pelo governo também afeta o consumo de itens essenciais, afirmou o gerente do IBGE.

“Além disso, a recente reabertura da econômica, impulsionada pelo progresso da vacinação, começa a redirecionar o comportamento da demanda, aumentando o consumo de serviços em detrimento de bens”, escreveu Andressa Guerrero, analista da Tendências Consultoria Integrada.

O mau desempenho da indústria em julho fez o nível de produção descer a patamar 2,1% inferior ao de fevereiro de 2020, no pré-pandemia. Em janeiro deste ano, quando o setor ainda crescia, o volume de produção estava 3,5% acima do pré-covid.

A perda de ritmo no parque fabril deve continuar pelo terceiro e quarto trimestres, prevê a economista Luana Miranda, da gestora de recursos Gap Asset.

“O problema da indústria é grave porque junta redução da demanda e dificuldade de recompor estoques por falta de matéria-prima. Quando houver normalização do fornecimento de insumos, a indústria tem espaço para crescer, por causa dos estoques que estão muito baixos, mas não deve acontecer este ano”, opinou Luana.

Quanto aos riscos relacionados à crise hídrica, a economista diz que as incertezas em relação ao fornecimento de energia limitam os investimentos na indústria. Além disso, o aumento da conta de luz também prejudica as fábricas devido ao aumento do custo.

Para André Macedo, do IBGE, ainda não é possível mensurar o quanto a indústria já foi impactada pela crise hídrica e pelo encarecimento da energia elétrica.

“O custo da eletricidade traz algum grau de incerteza e impactos negativos na produção”, avaliou Macedo. “Não descarto algum grau de impacto negativo nessa questão, entra no encarecimento de custos de produção.” / COLABOROU THAÍS BARCELLOS

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