Indústria recupera nível de atividade

Empresas zeram perdas da crise, retomam a produção e reabrem as contratações

Marco Damiani, especial para O Estado de São paulo,

26 de maio de 2010 | 15h44

A Região Sul agora anda de mão dadas com o Brasil nas estatísticas. Enquanto o PIB brasileiro, segundo projeções do Banco Central, está perto de apresentar crescimento de até 8,5% no primeiro trimestre, em comparação com o mesmo período do ano passado, entidades empresariais gaúchas, catarinenses e paranaenses exibem números que também apontam para o alto.

O Índice de Desempenho Industrial do Rio Grande do Sul, apurado pela federação das indústrias gaúchas, revela expansão de 8,6% nos primeiros três meses do ano ante o primeiro trimestre de 2009. Em Santa Catarina, no mesmo padrão comparativo, as vendas industriais cresceram 4,58%. No Paraná, o setor industrial acumulou 2,61% de janeiro a março. Esses Estados já demonstram poder ir mais à frente: as vendas da indústria catarinense avançaram 22,85% em março ante fevereiro, enquanto as do Paraná cresceram 22,04%.

"A indústria gaúcha vive um momento de forte motivação, acompanhando o aquecimento da economia nacional", afirma o presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul, Paulo Tigre. A produção hoje se volta mais para o mercado interno e menos para as exportações, a exemplo do que está acontecendo no restante do país.

Com cerca de 40 mil indústrias dentro de suas divisas, o Estado assiste ao surgimento de polos industriais inexistentes há cinco anos. "Há uma crescente indústria naval, acabamos de receber uma fábrica de semicondutores, ampliamos nosso setor de laticínios e subimos de patamar em celulose", enumera Tigre, que completa: "É o que estamos chamando por aqui de nova economia gaúcha".

Na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o professor Paulo Zawislak sustenta que as empresas voltadas ao agronegócio de alto valor agregado têm apoiado, no campo, o crescimento das indústrias no Estado. "Nossa tradicional base agropecuária tem-se saído bem nas últimas safras, especialmente setores de beneficiamento de grãos e criadores de gado premium." Zawislak lembra que um quilo de carne produzida no estado pode custar duas vezes mais do que a mesma porção originária da região Centro-Oeste. "O produtor daqui tem uma criação de melhor qualidade e agrega valor aos seus produtos. Neste momento em que a renda da população está em alta, ele se beneficia"

Santa Catarina. Em Santa Catarina, março trouxe a melhor notícia de vendas industriais desde 2001, quando a Federação das Indústrias do Estado (Fiesc) começou a apurar a variação no faturamento das filiadas. Todos os setores de atividades industriais pesquisados apresentaram alta, com destaque para máquinas, aparelhos e materiais elétricos.

A exceção foram veículos automotores, com queda de 49,19%. Mesmo assim, as indústrias do Estado abriram 12.341 empregos com carteira assinada em abril. Somente o setor indústria de transformação contribuiu com 6.449 vagas para o resultado. O saldo líquido de empregos é o maior dos últimos dez anos, com 54.759 vagas de janeiro a abril.

"O que mais precisamos agora é superar obstáculos não gerenciáveis pelos empresários", diz o presidente da Fiesc, Alcantaro Corrêa. "Isso significa a ampliação da infraestrutura estadual, a melhoria na rede de educação básica e a solução de questões ligadas a tributos."

Paraná. Com vendas expandidas em 18,14% para os demais Estados e 9,71% internamente, a indústria do Paraná compensou, nos primeiro trimestre, a retração de 19,61% nas exportações. "Nossa indústria deverá ter, este ano, desempenho semelhante ao de 2008 e zerar as perdas verificadas em 2009, em razão da crise", calcula o coordenador do Departamento Econômico da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Maurílio Schimitt.

O setor de metalurgia básica, por exemplo, demonstrou forte recuperação em março, com vendas 88,38% maiores que no mesmo mês de 2009. Couros e calçados, com 46,56% a mais, e máquinas e equipamentos, com um salto de 42,23%, também mostraram que as previsões otimistas têm bases sólidas. "As últimas duas safras foram ótimas e esperamos mais uma com bons resultados", adianta o economista Roberto Zurcher, da Fiep.

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