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Indústria salta obstáculos e acelera

Mercado interno em expansão estimula investimentos em quase todos os setores; Iedi vê bases mais sólidas

Lu Aiko Otta, O Estadao de S.Paulo

07 de julho de 2029 | 00h00

Há sinais de que o "espírito animal" do empresariado está começando a acordar, apesar da falta de infra-estrutura, da ausência das reformas econômicas, do câmbio desfavorável à exportação e dos riscos de desaceleração da economia mundial que podem afetar o País, como se viu na semana passada. O aumento da atividade industrial chega a um número cada vez maior de setores, conferindo mais qualidade ao crescimento."O Brasil é como um cavalo no grid, pronto para disparar", entusiasma-se o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues. "Na economia em geral, há uma disposição muito grande em fazer novos investimentos, de aumentar a capacidade e de modernizar os parques industriais", concorda o empresário Luiz Carlos Delben Leite, que durante anos presidiu a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas (Abimaq). O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Jackson Schneider, afirmou que o setor se prepara para entrar num "novo patamar de tamanho de indústria". Quinta-feira, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou uma pesquisa na qual 21 entre 27 setores consultados registraram aumento da produção. A força que puxa todo esse processo se chama mercado interno. Com a queda dos juros e da inflação e a melhora do emprego, há mais ânimo para consumir. Esses elementos já estavam presentes no ano passado, mas 2007 traz uma novidade: o aquecimento da indústria está apoiado em bases mais sólidas, segundo aponta estudo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). "O perfil do crescimento mudou, e é nessa mudança que reside uma qualidade maior", disse o economista-chefe da entidade, Edgard Pereira. Os líderes da atividade industrial deste ano são setores que "puxam" outros e, por isso, espalham mais os efeitos de melhoria do emprego e da renda, realimentando o ciclo positivo da economia. É o caso, por exemplo, da indústria automotiva, cujas vendas ao mercado interno crescem a um ritmo de 22%, ativando também seus fornecedores de peça, aço e outros. O maior destaque de 2007 é o setor de máquinas e equipamentos, que aumentou suas vendas no mercado interno. É outro sinal positivo que os demais setores industriais também estão se preparando para um ritmo mais forte. VÔO DE GALINHAÉ por essas razões que o aquecimento da atividade em 2007 tem perfil diferente de anos anteriores, de fôlego curto, os chamados "vôos de galinha". Mas, se agora a ave é do tipo que voa alto e vai longe, é uma questão ainda em aberto. Há ameaças no curto, no médio e no longo prazos a serem superadas. O perigo mais imediato é o próprio aquecimento da indústria levar o Banco Central (BC) a reduzir o ritmo de queda da taxa de juros, como ficou claro na ata do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada na semana passada. O documento dá indicações de que os juros começarão a cair menos daqui para frente, e uma das razões é justamente o aumento do consumo e da atividade industrial. O BC teme que a expansão dos investimentos não acompanhe o ritmo do aumento do consumo, gerando inflação.Outro problema no curto prazo é o câmbio. Com o dólar na casa dos R$ 1,90, o fôlego exportador perde força e a concorrência dos importados, principalmente os chineses, aumenta. Delben Leite, que fabrica compressores para gás veicular, resume a situação. Um produto fabricado no Brasil sai a R$ 400 mil. Se, em vez de fabricar, ele importar da China, o preço cai para R$ 250 mil. Terça-feira, um grupo de economistas e empresários esteve com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, discutindo o problema. Eles propuseram mais de 10 medidas para conter a valorização do real. "O pior erro é a omissão", disse o diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Roberto Giannetti da Fonseca, que alertou para o risco de "morte" da indústria.No médio prazo, a ameaça é o estrangulamento da infra-estrutura, sendo o risco mais grave a falta de energia elétrica. Também ficam faltando as reformas tributária, previdenciária e trabalhista, apontadas pelos empresários como fundamentais para sustentar o processo positivo que começa a se desenhar na economia. CRÉDITOOs motores da economia estão acelerando graças ao ambiente macroeconômico favorável. As quedas da inflação e dos juros estão impulsionando uma onda de consumo via crédito, que anima as indústrias a investir.

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