Taba Benedicto/Estadão
Taba Benedicto/Estadão

Indústria se prepara para vacinar trabalhadores contra covid-19, diz CNI

Nesta quarta-feira, a CNI divulgou projeções para a economia brasileira e projetou alta de 4% na atividade econômica em 2021; entidade espera uma queda de 4,3% no PIB deste ano

Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2020 | 13h20

BRASÍLIA - O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, disse que o setor está preparado para comprar vacinas contra a covid-19 para seus trabalhadores, principalmente os mais jovens, que não terão prioridade no plano de vacinação do governo. 

De acordo com Andrade, isso será feito através do Serviço Social da Indústria (Sesi), que já tem orçamento para a compra de uma “quantidade importante” de vacinas. Isso, no entanto, dependerá de haver produto disponível no mercado.

“Esperamos negociar com Ministério da Saúde a compra de vacinas para vacinação dos trabalhadores dentro das indústrias. Já estamos discutindo com as empresas isso”, completou. Ele afirmou ainda que a expectativa da indústria é que haja vacinação em massa a partir de fevereiro, e que isso é importante para o setor e para toda a sociedade brasileira.

Nesta quarta-feira, a CNI divulgou projeções para a economia brasileira e projetou alta de 4% na atividade econômica em 2021. A entidade espera uma queda de 4,3% no PIB deste ano. A expectativa é que o PIB industrial caia 3,5% neste ano, subindo 4,4% em 2021. “Temos uma expectativa positiva para 2021 para o crescimento da indústria e acho que o setor vai continuar gerando emprego”, afirmou Andrade.

A perspectiva é que a taxa de desemprego fique em 13,9% em 2020 e 14,6% em 2021. Já a inflação medida pelo IPCA fio projetada em 4,28% no fim deste ano e 3,55% no próximo. A CNI estima ainda a taxa básica de juros Selic em 3,0% no fim de 2021.

Reformas

 Andrade espera que o Congresso Nacional avance na votação de projetos ligados ao ajuste fiscal no primeiro semestre de 2021. “Acredito que, passada a eleição para a presidência da Câmara dos Deputados e do Senado, estaremos próximos de aprovar a reforma tributária”, afirmou.

Ele tinha expectativa de que a reforma dos impostos tivesse sido votada pelo menos na comissão mista este ano, o que não aconteceu. O presidente ressaltou que falta uma proposta clara do Ministério da Economia que contemple impostos federais e Estados e municípios – até agora, a equipe do ministro Paulo Guedes enviou apenas um projeto com a unificação do PIS/Cofins. “Se está pronta, se existe, poderia haver uma proposta única”, completou.

O diretor de Desenvolvimento Industrial da Confederação Nacional da CNI,Carlos Abijaodi, disse ter expectativa também de que o acordo entre o Mercosul e a União Europeia possa entrar em operação no primeiro semestre de 2021. Ele disse que é preciso ter “força política” para isso.

“Queremos aproveitar Portugal na presidência da Comissão Europeia para que possa aprovar pelo menos o acordo comercial”, afirmou. A parte comercial do acordo, que envolve a redução de tarifas, poderia entrar em vigor se aprovado no parlamento europeu, sem necessidade de ratificação de todos os países membros do bloco.

Abijaodi disse que as dúvidas em relação ao acordo trazer ameaças à preservação ambiental “não têm fundamento”, já que o entendimento traz  cláusulas que preveem o respeito a regras internacionais na área, como o Acordo de Paris.  respeitar acordo de paris e acordos internacionais

A CNI espera ainda um déficit primário em 10,9% do PIB em 2020 e 2,5% em 2021 e um déficit nominal em 15,4% do PIB neste e 6,6% no próximo ano. Para a dívida bruta, a expectativa é que alcance 92,8% do PIB em 2020 e 92,6% em 2021.

A perspectiva é ainda que o câmbio médio termine em R$ 5,15 neste ano e R$ 4,85 no ano que vem. Para o saldo comercial, a projeção é de superávit US$ 57,6 bilhões em 2020 e R$ 49,4 bilhões em 2021 e, para o saldo da conta corrente, déficit de US$ 8,5 bilhões neste ano e US$ 20,1 bilhões. 

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