Indústria se recupera, mas avanço pode afetar inflação

Especialistas acreditam que continuidade do crescimento da atividade pode afetar rumo dos juros no País

Rodrigo Viga Gaier e Renato Andrade, da Reuters,

04 de outubro de 2007 | 13h07

Após uma inesperada queda em julho, a indústria brasileira registrou forte expansão em agosto, o que reforça as preocupações sobre os efeitos do aquecimento sobre a inflação do País.  Veja também: Após queda de julho, produção industrial sobe 1,3% em agosto As fábricas ampliaram em 1,3% a produção em agosto, depois da queda de 0,4% em julho, informou nesta quinta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).  O crescimento mensal ficou bem acima das expectativas do mercado. O mesmo aconteceu na comparação com agosto do ano passado, em que a atividade expandiu-se 6,6%, superando a projeção de 5,4% de analistas.  Mais uma vez, os bens de capital influenciaram o desempenho geral da indústria. A produção desses itens avançou 4% frente a julho e 21% ante o mesmo período de 2006.  "O crescimento de bens de capital é difuso e é uma expansão que demonstra uma maior qualidade. Quanto mais espalhado, mais são os efeitos em cadeia sobre a economia e isso é uma demonstração também de maior confiança dos investidores", afirmou Silvio Sales, economista do IBGE.  Thais Marzola Zara, economista da Rosenberg & Associados, vê "um quadro muito positivo para a indústria" levando em conta os dados do IBGE e os divulgados na véspera pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).  O aquecimento da produção industrial, que acumula no ano ganho de 5,3% e nos últimos 12 meses avanço de 4,5%, pesa sobre as perspectivas para o juro no País.  Crescimento X inflação  "Do conjunto de informações que o Banco Central normalmente analisa para definir os rumos da política monetária, o que traz mais desconforto é o crescimento da atividade que continua muito forte", destacou Luiz Cesário, economista do HSBC Bank Brasil.  Para ele, os dados do IBGE reforçam os argumentos de que pode ocorrer um descompasso entre demanda e oferta de bens.  "E o uso da capacidade instalada, observado a partir dos indicadores da CNI, mostram que os níveis atuais têm similaridade com períodos em que a economia sofreu pressões inflacionárias, o que só tende a reforçar a cautelosa posição do BC com a taxa de juros", afirmou.  Na quarta-feira, a CNI informou que o uso da capacidade instalada da indústria está estacionado em torno de 82%.  Os cálculos do IBGE mostram que o aquecimento da atividade não tende a arrefecer. Se o setor mantiver ao longo dos próximos meses o ritmo verificado de janeiro a agosto, a expansão no ano será de 4,6%.  Se o desempenho de agosto se repetir até dezembro, a expansão será ainda mais forte, de 5,6%.  "O resultado de agosto mostra que o ciclo de crescimento da indústria não se esgotou", acrescentou o economista do IBGE.

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