Indústria seguira crescendo em 2010 mesmo sem desonerações

Para CNI, setor crescerá 7% mesmo com retomada de impostos em materiais de construção e bens de capital

Leonardo Goy e Sandra Manfrini, da Agência Estado,

15 de dezembro de 2009 | 14h55

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto (PTB-PE), destacou hoje que o fim das desonerações para itens de material de construção e bens de capital, em junho do próximo ano, "não vai alterar o ritmo de crescimento da indústria".

 

Para o dirigente industrial, mesmo não havendo prorrogação desses benefícios, como a economia deverá voltar a andar com mais força em 2010, a indústria terá como crescer sem essas reduções de impostos. A CNI estima que o PIB industrial brasileiro crescerá 7% em 2010, contra um recuo de 4,5% neste ano.

 

Armando Monteiro Neto comentou ainda que a cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre aplicações de capital estrangeiro em renda fixa e variável ajudou a reduzir a volatilidade do câmbio. "Não achamos que a medida iria reverter a apreciação do real, mas o câmbio se manteve relativamente estável em R$ 1,70", disse.

 

Por outro lado, Monteiro Neto coloca o desempenho da indústria que depende das exportações (e consequentemente do câmbio), juntamente com a indústria de equipamentos (que depende do ritmo de investimentos da economia) como setores em que há dificuldade para se projetar o crescimento em um prazo mais longo.

 

A CNI, entretanto, estima que a taxa de investimentos no País crescerá 14% em 2010. Com isso, o porcentual de investimento em relação ao PIB deverá subir dos atuais 16,9% para 18,3% em 2010. Apesar de salientar que se o crescimento de 14% é significativo, Monteiro Neto afirma que o ideal para o País seria atingir uma taxa de investimentos próxima de 25% do PIB.

 

Eleições

 

Monteiro Neto também avalia que as eleições presidenciais em 2010 "seguramente não terão nem de longe" o nervosismo que foi verificado no mercado financeiro em 2002.

 

Naquela época, o receio quanto à política econômica que seria adotada pelo PT caso vencesse as eleições provocou uma crise dos mercados que disparou o dólar e risco Brasil. A situação só foi contida depois que o candidato Luiz Inácio Lula da Silva lançou a "Carta ao Povo Brasileiro", na qual se comprometia em preservar os principais pilares da política macroeconômica em vigor.

 

"Não há razão para os mercados precificarem risco no processo sucessório. Os dois principais candidatos têm convergências quanto a pontos essenciais da política macroeconômica, como o regime de metas de inflação, a prática de uma política fiscal responsável, a obtenção de superávit primário e um câmbio flutuante", disse Monteiro Neto, em coletiva para divulgação das projeções da CNI para 2010. 

 

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