Indústria tem queda na produção e no emprego e estoques em alta, diz CNI

Cenário. Sondagem da Confederação Nacional da Indústria mostra deterioração dos indicadores em junho, com queda no nível de emprego e no uso da capacidade instalada; para os empresários, impostos altos continuam sendo o maior problema do setor

LAÍS ALEGRETTI / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2013 | 02h15

A indústria brasileira voltou a ter um desempenho ruim no mês de junho, com queda na produção e no número de empregos, segundo pesquisa divulgada ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Também revelaram uma situação ruim o uso da capacidade instalada das fábricas, que ficou no pior nível do ano, e o nível de estoques, que aumentou pelo terceiro mês consecutivo.

A produção industrial caiu de 51,1 pontos em maio para 46 em junho. A última vez que o índice tinha ficado abaixo dos 50 pontos, o que significa redução da produção em relação ao mês anterior, foi em fevereiro, com 46,1 pontos. Na avaliação de Renato Fonseca, economista da CNI, a indústria "ainda está distante da recuperação".

A utilização da capacidade instalada ficou em 42,9 pontos em junho, o que representa o menor valor do ano. Pelo terceiro mês consecutivo, o nível de estoques aumentou na relação com o mês anterior. Fonseca lembra que o acúmulo de mercadorias prejudica a recuperação. "O problema é que você só volta a crescer a produção depois que conseguir reduzir os estoques", comentou.

Com cenário ruim para as empresas, o emprego também recuou em junho. Passou de 49,5 pontos em maio para 48,1em junho. Segundo a CNI, apenas entre as grandes empresas o número de empregados manteve-se relativamente estável.

Fonseca afirma que ainda não é possível avaliar se a demissão será uma tendência para a indústria, mas diz que seus efeitos prejudicariam toda a economia. O efeito cascata, segundo ele, reduziria o consumo dos brasileiros. "E o Brasil vem crescendo por causa do consumo das famílias, não por exportações ou investimentos", diz.

O documento divulgado ontem pela CNI informa que "cresceram as dificuldades das empresas industriais, refletidas no aumento da insatisfação com as margens de lucro e a situação financeira, problemas acentuados pela maior dificuldade de acesso ao crédito". A entidade coloca, ainda, que as empresas estão mais preocupadas com a falta de demanda e que a falta de mão de obra qualificada continua sendo um problema que compromete o setor e pressiona custos com pessoal.

Impostos. Embora o governo Dilma Rousseff tenha tomado várias medidas para diminuir o impacto dos impostos nos custos da indústria de transformação, os empresários colocam os tributos no topo da lista de reclamações.

A elevada carga tributária foi o principal problema apontado pelos industriais para o segundo trimestre do ano. Segundo o governo federal, o impacto das desonerações da folha de pagamentos para este ano soma cerca de R$ 73 bilhões. Para 2014, as desonerações previstas somam R$ 88,2 bilhões.

Ainda na lista de problemas apontados pelos empresários, o item competição acirrada de mercado aparece em segundo lugar, seguido do alto custo da matéria-prima. A taxa de câmbio está na sexta posição e as taxas de juros elevadas, em oitavo. A sondagem foi realizada com mais de 1.900 empresas na primeira quinzena do mês.

A pesquisa apontou, ainda, que as condições financeiras das empresas são as piores em quatro anos. Os índices de satisfação com as margens de lucro, de facilidade de acesso ao crédito e de satisfação com a situação financeira foram os mais baixos desde o segundo trimestre de 2009.

Futuro. As perspectivas dos empresários continuam positivas em relação aos próximos seis meses, mas o otimismo é menor do que o registrado no mês passado. O índice de expectativa de demanda ficou em 58,9 pontos em julho, abaixo do registrado em junho, que foi de 60 pontos.

Sobre a quantidade exportada, o índice de 54,2 pontos também demonstra confiança, embora menor do que no mês anterior. Para Fonseca, a desvalorização do real colabora. "As empresas podem cotar um preço em dólares mais baixo e, com isso, acreditar que vão recuperar parte desse mercado externo que perderam com a crise."

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