Indústria tem recuperação mais lenta em 10 anos, vê FGV

Queda dos índices de confiança indica perda de ritmo na retomada do setor, que deve ser moderada

Wellington Bahnemann, da Agência Estado,

19 de junho de 2013 | 16h44

RIO - Em meio a um cenário de instabilidade das condições macroeconômicas, a indústria brasileira patina sem dar sinais de aceleração no ritmo da atividade econômica. "É a recuperação mais lenta em uma década. A indústria desacelerou em 2011 e começou a recuperar no segundo trimestre do ano passado. Mas essa recuperação tem sido lenta", afirmou o superintendente adjunto de Ciclos Econômicos da Fundação Getulio Vargas (FGV), Aloisio Campelo.

A prévia do Índice de Confiança da Indústria (ICI) divulgada nesta quarta-feira, 19, pela FGV apontou uma queda de 1,2% em junho em relação ao mês passado. Analisando dados quantitativos e qualitativos, Campelo disse que há um avanço na atividade industrial, o que pode ser comprovado pelo Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) no segundo trimestre ter ficado 0,3 ponto porcentual acima do primeiro trimestre do ano, em 84,5%.

"A indústria está crescendo, o que é uma notícia favorável. Porém, há uma dúvida em relação ao ritmo de crescimento da indústria para este ano", declarou. Campelo avalia que, no momento e para os próximos meses, os indicadores de confiança mostram um crescimento moderado da atividade industrial.

Segundo o economista, os índices de confiança da indústria mostram uma perda de vigor desde fevereiro deste ano, indicando perda do ritmo industrial para o segundo semestre. "O que dificulta o crescimento da indústria é o consumo das famílias, que desacelerou muito, e também a economia internacional. A indústria local desenvolveu um relacionamento muito forte com a China e com a América Latina, e não há nenhum país com relação comercial com Brasil que esteja registrando uma melhorada", afirmou Campelo, lembrando que a situação dificulta a vida dos exportadores e dos que disputam com os importados.

Na semana passada, o governo federal lançou o programa Minha Casa Melhor, que concede crédito barato aos beneficiários do programa Minha Casa, Minha Vida para a aquisição de eletrodomésticos e móveis, tais como TV, sofás, camas, geladeiras e computadores. Apesar de considerar que a iniciativa deve ter um impacto positivo para fabricantes desses bens duráveis, Campelo ponderou que por si só será insuficiente para mudar o ritmo de expansão da indústria brasileira em 2013. "Tem impacto nesses setores. Mas, do ponto de vista indústria como um todo, não é tão relevante."

Como exemplo, mencionou que a indústria automobilística, beneficiada pelo governo federal com incentivos fiscais, tem sido incapaz de alavancar o crescimento industrial no ano, mesmo sendo um setor que tem efeito multiplicador em diversas cadeias produtivas. "O programa do governo federal colabora para o crescimento da indústria no ano, mas não a uma taxa expressiva. Há limitações para isso."

O que pode contribuir para uma melhora da atividade industrial é a recente desvalorização do real, que beneficia as indústrias exportadoras. "Um dólar entre R$ 2,15 e R$ 2,20 dá um impulso e faz uma diferença em relação ao patamar de R$ 2", afirmou. Campelo ponderou, todavia, que a própria indústria não mostra otimismo com o curto prazo - o índice de expectativa industrial caiu 1,3% em junho ante maio.

"A indústria quer esperar para confirmar esse patamar. Demora um pouco para que possam aproveitar os ganhos de competitividade trazidos pelo câmbio", argumentou o economista, citando que a alta recente da taxa de juros (Selic) também contribuiu para a visão menos otimista do curto prazo.

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