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Indústria teme acordos entre Petrobrás e China

Fornecedores brasileiros veem risco de invasão de produtos asiáticos

, O Estadao de S.Paulo

23 de fevereiro de 2009 | 00h00

O acordo entre a Petrobrás e estatais chinesas tornou-se motivo de grande preocupação para fornecedores de bens e serviços para o setor petrolífero. Segundo comunicado divulgado pela estatal, uma das cláusulas do acordo prevê a avaliação de "possibilidades de prestação de serviços e fornecimento de materiais e equipamentos para a Petrobrás". Para a indústria nacional, a aproximação com fornecedores chineses pode abrir as portas para uma invasão de produtos daquele país."É uma notícia extremamente preocupante, tendo em vista que a China vem assumindo postura predatória no mercado internacional", diz Elói Fernandez, presidente da Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip), entidade que representa fornecedores de bens e serviços para o setor. "Eles já vêm tentando entrar no mercado brasileiro com preços irreais. A parceria com a Petrobrás pode abrir todas as portas", completa. A maior preocupação reside no fato de o acordo ter sido assinado com o banco de fomento chinês China Development Bank Corporation, espécie de BNDES local, que se comprometeu com empréstimo de US$ 10 bilhões à Petrobrás, em troca de fornecimento futuro de petróleo. Normalmente, lembram especialistas, bancos de fomento condicionam a concessão de empréstimos internacionais à garantia de mercado para produtos de seus países.O BNDES, por exemplo, financia compradores de jatos da Embraer, independente de sua nacionalidade, ou países que contratam empreiteiras brasileiras para suas obras de infraestrutura. "Esses empréstimos existem para garantir o desenvolvimento da indústria local e não há dúvida que nesse caso não será diferente", reforça o diretor executivo da área de óleo, gás e petroquímica da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Alberto Machado.Os especialistas dizem que não há condições de concorrência com a indústria chinesa de equipamentos petrolífero, citando disparidades como custo de capital, carga tributária e política trabalhista, entre outros. Machado lista entre possíveis prejudicados os segmentos de válvulas industriais, bombas, tubos e equipamentos elétricos - áreas em que a China tem forte produção.O diretor da Abimaq, porém, diz que o acordo pode não ser prejudicial caso a Petrobrás opte por encomendar junto a chineses apenas produtos que não têm similar nacional.Outro atenuante é a inclusão, no acordo, de uma cláusula que prevê a busca de parcerias com empresas locais para a produção de equipamentos. Em seu plano estratégico, a estatal estipula uma meta de 65% de nacionalização de suas encomendas.

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