Coluna

Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

Indústria tenta mapear crise externa antes de decidir encomendas

A indústria brasileira tirou opé do acelerador e aguarda os desdobramentos da crise quecontaminou os mercados financeiros na última semana paraavaliar os rumos que a economia mundial irá tomar. Pegos de surpresa em pleno mês de encomendas de insumospara a produção que vai atender à demanda de fim de ano, osindustriais temem que uma possível retração da economianorte-americana leve a China de carona e, com isso, reduza doisimportantes mercados para o Brasil. A melhora nos mercados nesta sexta-feira, após o FederalReserve ter anunciado uma inesperada redução nas taxas de jurosa bancos comerciais, foi considerada apenas um ajuste técnicopelas fontes ouvidas, que estimaram pelo menos 30 dias para asituação econômica se tornar mais clara. "Se essa crise continuar, poderá haver atraso nas comprasdo final de ano, o que é muito ruim para a indústria, porque odirigente é obrigado a optar em fazer ou não fazer estoque, comrisco de perder vendas mais para frente", avaliou o presidenteda Associação Brasileira da Indústria Eletroeletrônica,Humberto Barbato. Puxada pelas vendas de celular e tendo os Estados Unidoscomo principal mercado, a indústria eletroeletrônica é maisimportadora do que exportadora, e sofreria com um dólar empatamar mais alto, o que levaria a um aumento de preços nomédio prazo. "Os próximos 20 a 30 dias serão decisivos para qualquertomada de decisão das empresas, tanto em termos de alteração depreços como em processo de investimentos", afirmou Barbato. Preocupado com o novo cenário, o presidente da AssociaçãoBrasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq),Luiz Aubert, reuniu cerca de 60 empresários desse segmento naquinta-feira e apurou que o clima é de dúvida. "Ninguém sabe aocerto o que vai acontecer", afirmou. Ele disse considerar cedo para identificar se a crise épassageira ou se vai reverter o crescimento de até 15 por centoprevisto pela Abimaq para este ano. Até o primeiro semestre, asvendas de máquinas e equipamentos aumentaram 13 por cento. "Nós exportamos mais de 30 por cento da produção, e o maiormercado consumidor são os Estados Unidos. A gente tirou umpouco o pé do acelerador para ver como fica", disse Aubert. Um pouco mais pessimista, o vice-presidente da Associaçãode Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro,viu a atitude do Fed como um alerta. "Essa ajuda do Fed hoje injetou ânimo no mercado, mas ofato dele reduzir uma taxa que não estava programada já mostraque existe uma coisa mais grave", afirmou o executivo. Para Castro, as exportações brasileiras deverão recuar nosegundo semestre e o superávit do ano ficará abaixo de 40bilhões de dólares, inferior aos 46 bilhões de dólaresprojetados pelo governo. Segundo ele, a tendência, nesse momento, é de que osexportadores não tomem decisões "até dar uma clareada". Termômetro da economia, o setor de embalagens também adotoua cautela para avaliar a crise e, por enquanto, mantém aprevisão de crescimento entre 1 e 2 por cento este ano. "Sazonalmente o segundo semestre é melhor do que oprimeiro, mas ainda é cedo para dizer se esse ano isso vaiacontecer", ressaltou a diretora-executiva da AssociaçãoBrasileira de Embalagens (Abre), Luciana Pellegrino.

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