Indústria terá de investir US$ 40 bi no pré-sal

O setor de máquinas e equipamentos terá de investir de US$ 30 bilhões a US$ 40 bilhões nos próximos quatro anos para acompanhar o desenvolvimento da exploração de petróleo no pré-sal, que consumirá R$ 120 bilhões nos próximos quatro anos. A avaliação foi feita na quarta-feira à noite, em São Paulo, pelo presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli em reunião com empresários do setor, segundo relato do presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Luiz Aubert Neto. "O recado foi que a indústria precisará se preparar para uma nova onda de investimentos", disse Aubert Neto.

Celia Froufe, Fabio Graner e Kelly Lima, BRASÍLIA e RIO, O Estadao de S.Paulo

04 de setembro de 2009 | 00h00

A ideia do governo é elevar o índice de conteúdo nacional na fabricação de equipamentos para o setor, hoje em 65%, em média. Para garantir um porcentual maior, o BNDES prepara uma linha de crédito especial, com incentivos e juros reduzidos. "A atuação do banco será fundamental. O aumento do conteúdo nacional será uma consequência natural do aumento dos investimentos e da certeza da existência de mercado a longo prazo. A tendência é aumentar (o índice)", disse ontem o diretor da Área de Serviços da Petrobrás, Renato Duque.

Os empresários mostraram interesse em participar da nova empreitada, mas querem uma contrapartida: mudança na composição do índice mínimo. Hoje, o porcentual de 65% é usado de forma geral, o que poderia servir de parâmetro também para a estatal a ser criada, a Petro-Sal. A indústria reclama que, como o índice é para compras totais das empresas, facilmente é preenchido com produtos brasileiros mais simples, o que abre espaço para que a compra de equipamentos mais sofisticados do exterior.

O que a indústria pede é a fixação de índice por segmento. Desse modo, as empresas seriam obrigadas a comprar pelo menos uma parte de todos os tipos de produtos do mercado doméstico. Outra crítica da indústria nacional são as condições de competição com as companhias estrangeiras. Segundo a Abimaq, as empresas estrangeiras têm incentivos financeiros e tributários maiores em seus países de origem.

O BNDES informou que não há expectativa de alteração no índice de nacionalização. O banco, principal fonte de financiamento do setor, admite que pode ampliar as modalidades de financiamento para a indústria de petróleo e gás, mas não deve promover uma revolução nas alternativas existentes. A avaliação do BNDES é de que hoje a oferta de produtos financeiros voltados para o segmento, mesmo considerando a exploração da área pré-sal, é adequada e não precisa de grandes mudanças. Isso, no entanto, não impede que alguma modalidade venha a ser criada, segundo informa o banco.

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