Indústria têxtil tenta elevar as exportações para voltar a crescer

O setor têxtil e de confecção, que fatura US$ 50 bilhões por ano, aposta nas exportações para contornar a atual crise econômica e reverter um cenário de queda na produção e de demissões que se arrastam desde 2014. Depois do tombo das vendas ao exterior por conta da crise na Argentina, a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) afirma que a estratégia é reforçar o comércio com países da América Latina e Central e expandir as vendas para o México, Estados Unidos e Europa, além de outros mercados não tradicionais. "O que queremos é retomar o market share de 1% do comércio global do setor nos próximos dez anos", disse, ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, o presidente da Abit, Rafael Cervone.

Mário Braga, O Estado de S.Paulo

08 de agosto de 2015 | 02h04

A meta é arrojada, uma vez que, apesar de já ter atingido este nível nas vendas mundiais há 20 anos, a atual participação da indústria têxtil brasileira está praticamente na metade, em 0,47%, segundo a Abit. Somam-se a este cenário as expectativas de quedas de 10% na fabricação de têxteis, de 12% na produção de vestuário e de 4% nas vendas de roupas em 2015. "Além dos estoques altos, o que acontece é que o poder de compra do brasileiro tem caído. A população tem começado a poupar", diz Cervone. Ele cita ainda como complicador para o segmento a disputa por clientes com os produtos eletroeletrônicos. "Há 15 anos, o setor não tinha uma concorrência tão forte com celular, iPad e videogame."

O presidente da Abit avalia que a recuperação não virá ainda em 2015, mas, se forem adotadas medidas no sentido de conquistar novos mercados, o setor pode ganhar fôlego a partir de meados do ano que vem.

Cervone cita uma pesquisa da associação mostrando que, atualmente, 85% dos empresários do setor consideram exportar seus produtos no horizonte dos próximos 5 anos. Em novembro de 2014, o porcentual estava em 50%. "Já temos calculadas 776 ações de dezembro de 2014 a novembro de 2016, tratando de capacitação das empresas, inteligência competitiva, promoção comercial e participação em feiras e eventos no exterior", diz.

As ações são parcerias desenvolvidas com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e incluem a vinda de empresários e jornalistas estrangeiros para eventos no Brasil. "Agora, o governo está muito mais ofensivo em acordos de livre comércio", diz Cervone. "Esses acordos com México, Estados Unidos e Europa podem potencializar rapidamente os fluxos comerciais e ter resultados, sim, muito rápidos."

Câmbio. A recente valorização do dólar ante o real é um dos fatores que devem impulsionar o faturamento do comércio com outros países. "No nível que está hoje, o câmbio já nos garante uma melhoria de competitividade que justifica ser mais otimista quanto ao futuro das exportações e à desaceleração no ritmo de crescimento das importações." Para Cervone, se a nova postura do governo gerar resultados no curto prazo, o resultado pode ser "muito significativo".

Uma das consequências positivas desse processo é o ganho de competitividade imposto pela necessidade de aumentar a produtividade para vender ao exterior. Cervone explica que as empresas que exportam precisam ser mais competitivas e, portanto, melhoram também comparativamente no mercado interno. "Isso favorece a nacionalização de produtos que estão sendo importados." Segundo ele, atualmente há espaço para substituir cerca de R$ 2 bilhões anuais, do total de R$ 7 bilhões em têxteis importados.

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