Estadão
Estadão

Indústria vai a Temer pedir por Rota 2030

Segue impasse sobre incentivos às montadoras, que falam em investir ‘onde for mais barato’

André Ítalo Rocha, Cleide Silva e Lu Aiko Otta, O Estado de S.Paulo

24 Abril 2018 | 04h00

Dirigentes das quatro associações ligadas ao setor automotivo se reúnem hoje, em Brasília, com o presidente Michel Temer para, mais uma vez, tentar convencer o governo a aprovar o Rota 2030, novo regime automotivo que terá duração de 15 anos.

+ 'Caminhamos para convergência sobre o Rota 2030', diz representante do setor automotivo

Previsto para entrar em vigor em janeiro, o programa segue pendente em razão da falta de consenso entre o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic) – favorável ao projeto – e a Fazenda – contrária a incentivos às montadoras.

+ Projetos de renúncia fiscal podem ter impacto de R$ 667 bilhões até 2020

Ontem, Temer esteve com Marcos Jorge, titular do Mdic, Ana Paula Vescovi, ministra interina da Fazenda e Jorge Rachid, secretário da Receita Federal, para discutir o programa. Segundo fontes, o impasse não foi superado. O Rota vem sendo discutido desde 2017. Seu objetivo é definir regras para a cadeia automotiva. O impasse está na concessão de incentivo fiscal para montadoras investirem em pesquisa e desenvolvimento.

+ Rota 2030, a novela foi prorrogada mais uma vez

Estarão no encontro os presidente da Anfavea (representa as montadoras), Antonio Megale; do Sindipeças (autopeças), Dan Ioschpe; da Fenabrave (concessionárias), Alarico Assumpção e da Abeifa (importadores), José Luiz Gandini. Outro encontro previsto para hoje, com presidentes de todas as montadoras, foi cancelado, “frustrando as expectativas do setor”, disse Megale, que esperava por uma definição em maio.

Megale disse que, em razão do atraso do Rota, “o setor começa a se desorganizar” e há riscos de empresas decidirem “investir onde for mais barato”.

+ Incentivos a carros elétricos podem prejudicar arrecadação dos Estados, diz Fitch

Para o secretário do Mdic, Igor Calvet, o valor em discussão está sendo superestimado por quem o critica. “Para um incentivo de R$ 1,5 bilhão, o programa exige investimentos de R$ 5 bilhões (das empresas). É uma conta superavitária.”

No domingo, o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, reforçou que há dúvidas sobre os custos e vantagens do Rota. Segundo ele, subsídios à indústria custaram bilhões do Tesouro, mas nem por isso o setor escapou da estagnação.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.