Indústria vai puxar crescimento a partir de 2005

Depois de três anos atrás da agropecuária, o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) da indústria deverá, pelo menos, equiparar-se ao agrícola este ano e começar a puxar, já a partir do ano que vem, o crescimento econômico do País. Para especialistas, a mudança terá efeito direto no emprego, principalmente quando segmentos intensivos em mão-de-obra avançarem no processo de recuperação. "Os segmentos muito mecanizados da indústria estão liderando o crescimento hoje, o que explica, em parte, porque o emprego ainda não reagiu muito. Há segmentos empregadores que até agora não foram os que se recuperaram mais, como vestuário e material de construção", diz o diretor-executivo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Júlio Sérgio Gomes de Almeida. Ele acredita que o crescimento do PIB ficará mais equilibrado entre os setores. Uma pesquisa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) com consultorias e instituições financeiras mostra que, para 2005, as projeções médias são de crescimento de 4,7% do PIB industrial, 4,5% do agropecuário e de 3,30%, nos serviços. Para este ano, as previsões, são, respectivamente de 4,30%, 5% e 2,57%. O quadro em 2003 foi bem diferente. Enquanto a agropecuária cresceu 5%, a indústria caiu 1% e os serviços, 0,1%. Na prática, o PIB agropecuário vem crescendo acima de 5% ao ano desde 2001, favorecido pela desvalorização do câmbio e pela elevação dos preços internacionais dos produtos agrícolas. Isso fez com que o peso do setor dentro do PIB total crescesse quase 30%, de aproximadamente 7,6% em 2000 para perto de 9,7% no ano passado, com base nos dados preliminares do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), excluindo os impostos. Safra menor - O desempenho da agropecuária contribuiu para que o fraco resultado do PIB total dos últimos anos não ficasse ainda pior. A questão, segundo o diretor-executivo do Iedi, é que, além de a indústria ter peso maior na economia (responde por 36,7%), o seu crescimento influencia mais o setor de serviços (responsável por 53,7% do PIB) do que o avanço da agropecuária. "As relações da indústria com o setor de serviços são mais amplas do que as da agricultura", argumenta Gomes de Almeida. Em paralelo, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e o próprio Ministério da Agricultura reconhecem que o crescimento do PIB setorial será menor do que o esperado inicialmente. A CNA revisou de 6% para 3% essa expansão, por causa da expectativa de safra menor, queda de preços das commodities agrícolas e problemas do embarque da soja para a China. As instituições pesquisadas pelo BNDES projetam crescimento de 5%.

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