Indústria voltará a crescer no 2º semestre, preveem Fiesp e FGV

Mas Índice de Confiança da Indústria em abril fechou em 0,3%, perspectivas para o emprego e produção física para os próximos 3 meses continuam pouco animadoras

Bianca Ribeiro e Francisco Carlos de Assis, da Agência Estado,

26 de abril de 2012 | 14h43

SÃO PAULO - Apesar de, no curto prazo, a confiança da indústria estar crescendo a um ritmo lento, para o horizonte de seis meses as expectativas apontam para um cenário melhor para o setor, afirmou hoje (26) o coordenador da Sondagem da Indústria de Transformação da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Aloísio Campelo. 

O Índice de Confiança da Indústria em abril fechou em 0,3%, abaixo da expansão de 0,5% de março, o Índice de Expectativa (IE) avançou só 0,2% sobre março e as perspectivas para o emprego (-2,7%) e produção física (-0,8%) para os próximos três meses continuam pouco animadoras, mas a situação futura dos negócios para os próximos seis meses cresceu 4,4% em abril sobre março, após ter subido em março apenas 0,4% comparativamente a fevereiro.

De acordo com Campelo, a melhora na expectativa dos empresários em relação à situação dos negócios para daqui a seis meses está sendo influenciada pelas medidas de estímulo à indústria adotadas pelo governo, redução da taxa de juros básica e dos juros bancários e expansão do crédito.

Os empresários, de acordo com Campelo, sabem que algumas das medidas de apoio à indústria adotadas agora devem surtir efeitos no período de quatro a seis meses. "No curto prazo, a confiança é menor porque o empresário sabe que muitas destas medidas só devem dar resultado daqui a três meses", disse.

Com relação ao crédito, a Sondagem da FGV perguntou aos 1.147 empresários que participaram do levantamento qual era o grau de dificuldade para acessar crédito. Em abril, 11% disseram estar mais difícil obter crédito, porcentual inferior aos 17% de março.

São Paulo

A valorização do dólar, a redução do juro básico e dos spreads bancários e o fim da guerra dos portos não serão suficientes para estimular a recuperação da indústria antes do segundo semestre. Na opinião do diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Francini, o governo precisará fazer mais para tirar a indústria de transformação da "UTI" ainda nesta primeira metade do ano.

Segundo ele, todas as iniciativas recentes do governo estão na direção certa, mas levam tempo para gerar o efeito desejado de reanimar a atividade industrial. Para reaquecer a produção no curto prazo, Francini avalia que teria sido mais eficiente uma desoneração da folha de pagamentos mais ambiciosa que a prevista no plano Brasil Maior. "Deveria ser mais ampla e mais forte", afirma.

A federação previu que o Indicador do Nível Atividade (INA) da indústria paulista deve fechar o ano em 0%, na melhor das hipóteses, tendo em vista os resultados acumulados até agora, de queda de 6,1% no primeiro trimestre deste ano ante o mesmo período de 2011. No mês de março, o indicador caiu 0,5% em termos ajustados sazonalmente, decepcionando a entidade, que previa a continuidade da recuperação observada em fevereiro (de 1,8% após revisão).

Para o PIB, a Fiesp espera um crescimento no primeiro trimestre deste ano de 0,7% na comparação com o último trimestre de 2011. Para ano de 2012, a entidade estima uma expansão de 2,6% do PIB na comparação com o ano anterior. Segundo Francini, a indústria de transformação dará uma contribuição nula para o PIB nacional neste ano. Já a indústria como um todo deve apontar um crescimento de 1,4% na comparação com 2011.

Desoneração

O dirigente diz que a Fiesp defendeu uma desoneração da contribuição ao INSS para toda a indústria de transformação, sem que isso gerasse ônus para a receita do governo. A proposta previa que o alívio tributário da indústria fosse compensado por um aumento da carga de impostos de outros setores da economia, como o financeiro, o de serviços e o de comércio.

"Nada mais justo, pois a indústria de transformação responde por 15% do PIB nacional e arca com 35% dos impostos recolhidos", diz Francini. Essa maior abrangência da desoneração, diz, seria mais eficaz no curto prazo do que a aprovação pelo Senado da Resolução 72, que acaba com a guerra dos portos mas só entrará em vigor no início de 2013.

Uma desoneração mais generosa do que o recolhimento de 1% do faturamento para o INSS também surtiria maior efeito imediato, avalia ele, do que o aumento da taxa cambial, que deve chegar a R$ 2 no final deste ano, conforme previsões da Fiesp. Francini diz ainda que uma desoneração completa da folha de pagamentos teria mais impacto do que o corte de juro que vem sendo promovido pelo Banco Central, levando a Selic a 9% no último encontro, na semana passada.

"Os fluxos comerciais são de prazo médio e tudo isso leva tempo para surtir efeito. A indústria foi agredida ao longo de muitos anos e está na UTI. Não tem milagre", diz, reforçando que zerar o recolhimento do INSS não seria uma mágica, mas resultaria em uma reação mais rápida da atividade industrial.

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