Industriais argentinos reclamam dos subsídios no Brasil

A discussão sobre os conflitos comerciais entre a Argentina e o Brasil cresceu com a publicação de um comunicado da União Industrial Argentina (UIA), no qual a entidade afirma que concorda com as declarações do embaixador brasileiro em Buenos Aires, José Botafogo Gonçalves, de que os empresários locais têm visão de curto prazo, porque a "indústria argentina não conta com os subsídios que a brasileira possui". A UIA também é contra a afirmação do embaixador de que a paridade cambial entre ambos países é só um aspecto do problema, principalmente porque o Brasil entrou, tecnicamente, em recessão, e o excedente da produção brasileira é vendido ao mercado argentino. "A indústria argentina tem carecido e carece de crédito interno, de promoção, de investimentos e de apoio às exportações, enquanto Brasil as possui e conta com ajudas do Estado. Estas ajudas deveriam ter sido eliminadas no Mercosul como instrui as normas em vigência", afirmou o comunicado. A nota ainda reivindica ao governo argentino a aplicação de medidas que garantam a concorrência leal na zona, ou medidas emergenciais de compensação como regime de quotas ou preços. O conflito entre alguns setores argentinos teve início há duas semanas com denúncias sobre uma suposta invasão de produtos brasileiros no mercado local. A embaixada do Brasil desmentiu as denúncias e destacou a falta de competitividade da indústria argentina. Os ânimos se acirraram, através da imprensa argentina, com uma série de contra-respostas ao embaixador brasileiro. Os setores que mais se vêem prejudicados e levantam a voz contra os produtos do Brasil são têxteis, suínos e frangos.

Agencia Estado,

11 Julho 2003 | 09h30

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