Industriais estão otimistas, apesar dos indicadores ruins

O cenário atual da indústria da transformação apresenta sinais de aumento de estoques, demanda fraca no mercado interno, capacidade instalada no limite e dificuldade de acesso a crédito. Porém, apesar de todos os fatores negativos, a maioria dos industriais continua apostando na melhora de seus negócios nos próximos seis meses. As informações constam das sondagens industriais divulgadas hoje pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). As duas pesquisas são referentes ao primeiro trimestre deste ano.Segundo o economista da FGV, Salomão Quadros, o que tem sustentado as encomendas da indústria é o mercado externo. "Mas a indústria tem interesse em continuar a produzir no atual patamar, embora a demanda interna não seja tão interessante".A pesquisa foi feita entre 15 de março para 29 de abril em um universo de 1,223 mil empresas pesquisadas. O resultado foi classificado como "moderadamente pessimista" por Quadros.A capacidade instalada da indústria da transformação brasileira está no limite, na avaliação da FGV com uso de 81% nos primeiros três meses do ano. "Há risco potencial de atingir 100% de uso de capacidade instalada, caso haja reaquecimento da economia", afirmou o economista.Já a sondagem da CNI registrou queda na atividade industrial, no primeiro trimestre deste ano, mais intensa do que a verificada no mesmo período do ano passado. O estoque de produtos finais voltou a ficar acima do esperado pelas 1.431 companhias que participam da pesquisa.Segundo o coordenador da CNI, Flávio Castelo Branco, os estoques e juros elevados, a menor de demanda e o aumento no valor das matérias-primas por causa da taxa de câmbio causaram uma redução na margem de lucro das empresas, que não têm como repassar esses aumentos para os preços. Porém, os empresários do setor estão prevendo melhora na situação dos negócios, para os próximos seis meses.

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