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Industriais reclamam do congelamento de preços na Argentina

A União Industrial Argentina (UIA) mudou seu tom conciliador com o governo do presidente Néstor Kirchner, e, pela primeira vez, queixou-se das constantes pressões governamentais para manter o congelamento de preços. "O Estado tem que velar para que a inflação não dispare. Mas, como presidente de uma entidade empresarial devo dizer que gosto da liberdade de preços", disparou Méndez. Segundo ele, medidas como a do congelamento "são razoáveis em períodos de inflação...mas, um ano (de congelamento) a mais é muito tempo!", exclamou o presidente da UIA, Héctor Méndez, durante uma reunião de industriais na cidade de Córdoba. Esta foi a primeira expressão da irritação empresarial em relação a Kirchner em uma entidade organizada não-agrícola (no setor agropecuário Kirchner é constante alvo das reclamações das principais organizações do setor).O presidente da UIA referia-se aos acordos arrancados dos empresários pelo governo Kirchner desde o final de 2005, que implicam em pactos de um ano - ou mais - de duração, ao longo dos quais o empresariado se compromete a não aumentar os preços. Além disso, o governo está pressionando alguns setores, como o têxtil, para que reduzam em 10% seus preços. Caso contrário, o governo ameaça liberar as importações, medida que aterroriza os empresários.Há poucos dias, o Secretário de Comércio Interior, Guillermo Moreno - que, segundo rumores, coloca uma revólver em cima da mesa na hora de iniciar negociações - convenceu os empresários de supermercados a renovar por mais um ano, até final de 2007, o congelamento de preços acordado em dezembro do ano passado.Méndez alertou para uma eventual alta salarial, que poderia colocar muitas empresas em xeque-mate. "Se amanhã houver um aumento salarial, haverá empresas que poderão absorvê-lo, enquanto que outras terão que transferi-lo aos preços", afirmou. A Confederação Geral do Trabalho (CGT) está pressionando para que o governo force os empresários a aceitar aumentos salariais generalizados de mais de 14%, ou seja, acima da média inflacionária prevista para o ano que vem, ao redor de 10%.O governo considera que o congelamento é a melhor forma de evitar uma disparada da inflação. Esta, é um das maiores pesadelos de Kirchner, já que a inflação é um dos principais riscos à popularidade do presidente, que ambiciona a reeleição. Kirchner está tentando conter a escalada inflacionária até outubro do ano que vem, quando serão realizadas as eleições presidenciais.

Agencia Estado,

20 de outubro de 2006 | 15h42

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