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Indústrias querem reajustes de até 20%

Supermercadista diz que novas tabelas de preços das empresas que usam commodities em seus produtos foram apresentadas na virada do mês  

Marcelo Rehder, de O Estado de S.Paulo,

18 de fevereiro de 2011 | 22h30

A escalada do preço das matérias-primas (commodities) no mercado internacional já provocou alta da inflação no Brasil e deve pressionar ainda mais os preços nos próximos meses. Na virada de janeiro para fevereiro, os produtores de alimentos industrializados e artigos de higiene pessoal e limpeza doméstica - que usam de açúcar a petróleo em suas fórmulas - apresentaram novas tabelas de preços aos supermercados.

As novas tabelas preveem aumentos entre 5% e 7%, mas em alguns casos, como o dos detergentes líquidos e refrescos em pó, os reajustes chegam a 20%. "O nível de reajuste está forte e não está dando para negociar porque o mercado está aquecido", diz o presidente da Associação Brasileira dos Supermercados (Abras), Sussumu Honda.

Nos produtos de limpeza, que usam matérias-primas petroquímicas, a indústria quer emplacar aumentos de 8% e 9%. Em alguns casos, o porcentual é maior. A Química Amparo, dona do detergente líquido Ipê, propõe reajuste de 20%. Até o fechamento desta edição, a empresa não havia retornado as ligações da reportagem.

As novas listas incluem alimentos industrializados que já haviam subido nos últimos meses. Entre eles, estão produtos que usam muito açúcar, como o refresco em pó Tang, da Kraft Foods, reajustado em 20%. A Kraft não retornou as ligações.

Outro exemplo é o café em pó. A Sara Lee reajustou em 15% o preço do Café Pilão esta semana. Procurada pela reportagem, a Sara Lee disse que a proposta de reajuste não é uma questão da empresa, mas de todo o mercado. Entre os derivados de tomate, o aumento médio ficou entre10% e 11%. Nos produtos da marca Pomarola, a alta foi de12%. A Unilever informou que não comenta política de preços.

"Os fornecedores aproveitaram a virada de ano para tentar impor nova política de preços", diz um empresário do setor de supermercados que não quer ser identificado.

O impacto no bolso do consumidor depende das negociações. Geralmente, os supermercados conseguem descontos sobre os preços de tabela. Mas, este ano, a disputa ficou mais acirrada, pois o consumo está aquecido. Os supermercados trabalham com estoque suficiente apenas para a reposição semanal, e ninguém quer ficar sem produto. "Se você não compra, alguém compra", diz o presidente da Abras.

Além da queda de braço entre indústria e varejo, os aumentos de preço também dependem da disposição do consumidor em aceitar os aumentos. Se o reajuste é exagerado, as vendas caem.

"A reação do consumidor é imediata", diz o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Massas Alimentícias (Abima), Cláudio Zanão. "Só que os custos pressionam os aumentos. No caso do macarrão, a farinha de trigo representa 70% do custo de produção. "Se essa matéria-prima tem alta, não há como não repassar."

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