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Ineficiência do sistema abre espaço a startups

Empresas criam soluções digitais para questões como armazenamento de histórico de exames

Eduardo Laguna, O Estado de S.Paulo

14 de outubro de 2016 | 05h00

Segundo balanço do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), produtos e serviços ligados à saúde formam um mercado equivalente a 8% do Produto Interno Bruto (PIB). Já prevenir doenças, ou evitar que as pessoas tenham de ir aos hospitais sem necessidade, representa um mercado de tamanho desconhecido, mas que começa a ser explorado por um número crescente de empresas novatas.

Das centrais que armazenam todo o histórico de exames de um paciente a plataformas que mapeiam os riscos de doenças, passando por aplicativos que permitem agendar uma consulta médica de baixa complexidade em casa, um conjunto de soluções digitais vem sendo desenvolvido por startups com poucos anos de atuação para dar maior comodidade e controle de dados no uso de serviços médicos.

Desde 2014, o número de startups da área de saúde saltou no Brasil de 11 para mais de 80. É um número que, segundo especialistas, continuará avançando por encontrar terreno fértil nas ineficiências do sistema no País e na busca por redução de gastos médicos por um contingente de mais de 2 milhões de usuários que, principalmente em razão do avanço do desemprego, perderam planos de saúde nos últimos dois anos.

“Existe aqui um ecossistema favorável ao surgimento de startups. Temos um setor com diversas amarras, muito burocratizado e com jeito de reserva de mercado em alguns casos. É um negócio muito grande e inviável economicamente. As empresas tradicionais estão quebrando”, diz Daniel Lindenberg, presidente executivo (CEO) e cofundador do Dr. Vem, plataforma que faz a intermediação entre pacientes e médicos para atendimento em domicílio. “Qualquer empreendedor olha para isso e fala: ‘Uau!, temos aqui uma grande oportunidade’”, acrescenta Lindenberg.

‘Uberização’. A exemplo do aplicativo que colocou o serviço de transporte a alguns toques da tela do celular, o Dr. Vem faz parte de um movimento de “uberização” que chega ao campo do atendimento médico.

Seu funcionamento é simples. O usuário agenda uma consulta e, sendo um caso de baixa complexidade, o Dr.Vem encaminha algum médico da região para a residência na hora marcada. O primeiro alvo da empresa, de apenas oito meses, é abocanhar um total de aproximadamente 100 milhões de atendimentos feitos em prontos-socorros da rede de hospitais privados.

“Queremos que as pessoas não tenham de ir ao pronto-socorro para tratar de uma otite ou levar uma criança pequena sem necessidade”, afirmou Lindenberg durante participação no Summit Saúde Brasil, evento promovido pelo Estado que debateu assuntos relacionados à saúde.

Com mais tempo no mercado, o SaúdeControle permite há três anos armazenar digitalmente todo o histórico clínico de um paciente. Propõe, assim, não apenas acabar com a papelada de exames que fica muitas vezes espalhada pela casa, mas também evitar a repetição de um exame por perda de laudo médico.

Embora o foco inicial da empresa fosse atuar no setor privado, o SaúdeControle já discute com o Ministério da Saúde a integração da ferramenta ao sistema público, segundo informou o diretor presidente da empresa, Adrianno Barcellos, também presente ao evento.

“Obviamente, isso é uma coisa muito grande e queremos começar pequenos. Mas, embora nossa intenção fosse ter foco no mercado privado, sempre soubemos que a grande transformação se daria no setor público”, afirmou Barcellos.

Redução de gastos. Apresentada como uma companhia de “gestão de saúde”, o Dr. Consulta, criado em 2011, também aproveita dados clínicos coletados por seu sistema e, com isso, consegue antecipar riscos, evitar repetições de exames e reduzir custos clínicos.

Fundador do Dr. Consulta, Thomaz Srougi, diz que já conseguiu reduzir em 30% o gasto anual de saúde de um grupo de pacientes. “Podemos reduzir em R$ 5 mil o custo de saúde anual das pessoas nos próximos cinco anos”, afirma o executivo da empresa, que atende pelo menos 70 mil pacientes por mês. “O negócio cresce a um ritmo médio de dois dígitos por mês”, disse Srougi.

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