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Infelizmente não dá para dizer que o pior já passou, diz Zeina Latif

Economista-chefe da XP Investimentos disse que cenário econômico é agravado pela dúvida da oferta de energia e efeitos da Lava Jato

Igor Gadelha, O Estado de S. Paulo

14 de abril de 2015 | 13h11


SÃO PAULO - A economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif, avaliou nesta terça-feira, 14, que infelizmente ainda não dá para dizer que o pior momento da economia brasileira já passou. De acordo com ela, independente do ajuste fiscal em andamento, o cenário ruim é resultado de um ciclo de enfraquecimento que ainda não se completou, agravado por choques, como a dúvida sobre a oferta de energia e os efeitos da Operação Lava Jato.

Durante palestra no Congresso Cards Payment & Identification, a economista afirmou que o grande desafio do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, é não só entregar a meta de superávit primário de 1,2% do PIB em 2015, considerada por ela "ambiciosa", mas mudar a dinâmica das despesas. "Se a sociedade não mudar a mentalidade de que o Estado não tem que resolver tudo, essa curva de despesa não vai desacelerar nunca", afirmou.

Zeina destacou que o ajuste fiscal é desafiador principalmente sob a ótica da política. Para ela, a política é que vai definir quão profundo será o ajuste. "Temos que ter uma política preocupada com a governabilidade, um PMDB preocupado e dando apoio mínimo a governabilidade, porque o cenário alternativo poder ser mais difícil", afirmou. "Se a gente não fizer a lição de casa, ai sim estaremos discutindo a crise no ano que vem", acrescentou. 

Câmbio. Em sua fala, a economista ressaltou ainda que o ajuste do câmbio vai depender da gestão da política econômica. Ela defendeu que, para que a desvalorização do real de fato traga benefícios para a País, é preciso garantir que ela não vai se traduzir em inflação. De acordo com ela, a inflação de salários e de serviços precisa cair.

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