Inflação abate consumidor, indústria segue otimista

A preocupação com oimpacto da inflação de alimentos sobre a trajetória dos juros eo ritmo da economia derrubou a confiança do consumidorbrasileiro em abril. O humor do empresário, por outro lado,continuou positivo e indicando maiores investimentos, segundopesquisas divulgadas na quinta-feira. A Fundação Getúlio Vargas (FGV) informou que seu índicerelativo ao consumidor caiu 7 por cento sobre março, para 112,4pontos, registrando a pior leitura desde setembro do anopassado. Já em relação a abril de 2007, houve alta de 6,3 porcento. "Em grandes linhas, a dinâmica da economia brasileira estásendo captada pelo consumidor. Inflação mais alta com impactonos juros provoca uma desaceleração da economia", disse oeconomista da FGV, Aloisio Campelo. Já a Confederação Nacional da Indústria (CNI) disse que seuindicador de confiança do empresário industrial aumentou peloquarto trimestre seguido em abril e teve a melhor leitura desdejaneiro de 2005. A alta foi de 2,6 pontos percentuais sobre abril de 2007,para 62,0 pontos, e de 0,2 ponto contra janeiro, data dolevantamento anterior. "A elevada confiança dos empresários industriais reflete obom desempenho da economia, segundo a pesquisa. Maisimportante, no entanto, é que o resultado indica a manutençãoda disposição dos empresários em investir e em aumentar aprodução de suas empresas", disse a CNI em nota. COMPONENTES Na pesquisa da FGV, o componente de percepção dosconsumidores sobre a situação atual declinou 5,9 por cento mêsa mês. O de expectativas caiu 7,5 por cento. A previsão de inflação subiu de 5,9 por cento na média demarço para 6,3 por cento em abril. Além disso, 37,5 por cento dos entrevistados prevêem umaumento do juro nos próximos seis meses, maior patamar da sériehistórica iniciada em setembro de 2005. Segundo a FGV, apenas12,9 por cento esperam queda do juro nos próximos seis meses,menor nível da pesquisa. "O consumidor parece que está sendo racional. Com aperspectiva de um custo de financiamento mais caro, elemanifesta menos interesse em comprar bens duráveis." O índice foi mais influenciado pelo indicador deexpectativas do que pelo indicador do cenário atual. ParaCampelo, as avaliações sobre a situação atual, embora tenhamapresentado queda em abril, ainda se mantém num nível elevado. "Estamos mudando de um otimismo para um otimismo moderado.O índice de expectativas é o que mudou de trajetória agora emabril... A crise americana aparece como uma preocupaçãosecundária. A preocupação maior é com fatores internos." A sondagem da FGV é feita em mais de 2 mil domicílios dassete principais capitais do país e foi realizada entre 1o e 21de abril. A da CNI ouviu 1.490 empresas de 22 Estados entre osdias 31 de março e 23 deste mês. (Reportagem de Rodrigo Viga Gaier e Vanessa Stelzer; Ediçãode Daniela Machado)

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