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Inflação acelera alta para 0,61% em abril, puxada por alimentos e remédios

Resultado veio acima do esperado por analistas; em 12 meses, o IPCA acumula alta de 9,28%, o menor patamar desde junho de 2015, mas ainda bem acima do teto da meta, de 6,5%

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2016 | 09h27

RIO - A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou abril com alta de 0,61%, ante uma variação de 0,43% em março, informou nesta sexta-feira, 6, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A alta foi puxada principalmente pelo reajuste de remédios e por aumento de preços dos alimentos.

O resultado ficou acima do intervalo das estimativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções, serviço da Agência Estado, que iam de uma taxa de 0,41% a 0,60%, com mediana de 0,54%.

Como resultado, a taxa acumulada no ano foi de 3,25%. Nos 12 meses encerrados em abril, o IPCA foi de 9,28%, ainda muito acima do teto da meta estipulada pelo governo, de 6,5%, mas o menor patamar desde junho de 2015, quando estava em 8,89%. A desaceleração na taxa acumulada em 12 meses teve início em fevereiro deste ano, quando diminuiu de 10,71% em janeiro para 10,36%. Em março, o resultado era de 9,39%. 

A demanda mais fraca voltou a reduzir a inflação de serviços em abril. A taxa acumulada em 12 meses passou de 7,49% em março para 7,34% no último mês. O resultado de abril foi o mais baixo da série histórica do IBGE, iniciada em janeiro de 2013, quando os serviços começam a pressionar o IPCA.

"A gente espera que nos próximos meses a inflação de serviços (acumulada em 12 meses) se firme nesse patamar de 7%, e esse movimento a gente pode atribuir à demanda mais fraca", afirmou Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de 

Preços do IBGE.

Alimentos e remédios. O grupo Alimentação e Bebidas desacelerou a alta de 1,24%, em março, para 1,09% em abril, o equivalente a uma contribuição de 0,28 ponto porcentual para a inflação do último mês. Já o grupo Saúde e cuidados pessoais disparou de 0,78% em março para 2,33% em abril, sendo responsável por 0,26 ponto porcentual do último IPCA. 

Juntos, os dois grupos responderam por 89% de toda a inflação do mês, o equivalente a 0,54 ponto porcentual sobre a taxa de 0,61% do IPCA.

Os remédios ficaram 6,26% mais caros em abril, como reflexo de parte do reajuste de até 12,50% em vigor desde o 1º dia de abril. O item deu a maior contribuição individual para a inflação do mês, o equivalente a 0,20 ponto porcentual. Outros destaques do grupo Saúde e cuidados pessoais foram plano de saúde (1,06%), artigos de higiene pessoal (0,58%) e serviços laboratoriais e hospitalares (0,52%).

Segundo o IBGE, as mudanças climáticas e o aumento na demanda, sobretudo em países emergentes, tem pressionado os preços dos alimentos na última década. De janeiro de 2007 até abril de 2016, os alimentos ficaram 129% mais caros, enquanto a inflação no mesmo período foi de 77,40%.

Em abril, as principais altas entre os alimentos foram batata-inglesa (13,13%) e açaí (9,22%). Na direção oposta, o tomate ficou 15,26% mais barato na passagem de março para abril.

"O que aumentou foi supermercado. Os problemas climáticos têm prejudicado a safra da batata e das frutas também. E, no caso do leite, o pecuarista tem preferido usar o gado para corte. Tanto é que a carne está com preço em queda, pela maior oferta. Com isso, o leite está na entressafra, e junto com ele tem toda a cadeia de derivados do leite que ficam mais caros também", explicou Eulina.

Conta de luz. Já a tarifa de energia elétrica recuou 3,11% em abril. O item exerceu o mais expressivo impacto negativo sobre a inflação do mês, o equivalente a -0,12 ponto porcentual para a taxa de 0,61% do IPCA. O comportamento foi resultado do fim da cobrança extra da bandeira tarifária. Desde 1º de abril, deixou de ser cobrado o valor de R$ 1,50 por cada 100 kilowatts-hora consumidos, referente à bandeira amarela.

As contas de luz ficaram mais baratas em quase todas as regiões pesquisadas. As exceções foram Fortaleza, onde houve alta de 2,42% por conta do reajuste de 12,97% em 22 de abril, e Campo Grande, com aumento de 0,38% em função do reajuste de 7,40% a partir de 8 de abril. 

A energia elétrica, apesar das sucessivas quedas este ano, devolveu 6,96% da alta de cerca de 50% registrada em 2015, observou Eulina. "Uma conta que você pagava R$ 100,00 em dezembro de 2014 terminou em R$ 150,00 em 2015. E, agora, está em R$ 141. Então, apesar da queda este ano, não devolveu R$ 41 do aumento do ano passado", calculou a coordenadora do IBGE.

Em maio, a conta de luz deve voltar a pressionar a inflação, devido aos reajustes em Fortaleza (12,97% em 22 de abril), Salvador (10,72% em 22 de abril), Campo Grande (7,40% em 8 de abril) e Recife (9,9% em 29 de abril).

Baixa renda. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) subiu 0,64% em abril, após ter registrado alta de 0,44% em março, segundo o IBGE. Como resultado, o índice acumulou uma alta de 3,58% no ano e avanço de 9,83% em 12 meses. O INPC mede a variação dos preços para as famílias com renda de um a cinco salários mínimos e chefiadas por assalariados.

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