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Inflação acelera em julho e sobe 0,52%, diz IBGE

Aumento dos preços do leite e do feijão foram os principais impactos do índice; em 12 meses, IPCA acumula alta de 8,74

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

10 de agosto de 2016 | 09h18

RIO - A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou julho com alta de 0,52%, ante uma variação de 0,35% em junho, informou  o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado ficou dentro do intervalo das estimativas dos analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast, que iam de uma taxa de 0,32% a 0,60%, com mediana de 0,45%. A taxa acumulada no ano foi de 4,96%. Em 12 meses, o resultado ficou em 8,74%, ainda muito acima do teto da meta estipulada pelo governo, de 6,5%. A taxa veio acima do teto do intervalo das estimativas, captadas pelo Projeções Broadcast (de 8,52% a 8,70%).

Os preços dos alimentos voltaram a disparar em julho. A alta no grupo Alimentação e bebidas acelerou de 0,71% em junho para 1,32% no último mês. A alta dos alimentos foi a mais acentuada para meses de julho desde o ano 2000, quando os preços ficaram 1,78% mais caros. No ano de 2016, entre janeiro e julho, os alimentos já aumentaram 8,79%.

Em julho, a contribuição do grupo Alimentação e bebidas foi de 0,34 ponto porcentual para o IPCA (cuja taxa foi de 0,52%), o equivalente a 65% de toda a inflação do mês. "Problemas climáticos afetaram as lavouras. Há menor oferta de forma geral provocada pelo clima", justificou Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preços do IBGE.

Os prejuízos à safra afetaram não só os alimentos in natura, mas também pastagem e ração para o gado, pressionando o preço do leite. "O Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (divulgado pelo IBGE) apontou redução da safra de quase 10%. Isso é muito significativo", acrescentou Eulina.

O leite subiu 17,58% em julho, o equivalente a um impacto de 0,19 ponto porcentual sobre o IPCA, o que fez o item liderar o ranking de maiores contribuições para a inflação do mês. Em quatro das treze regiões pesquisadas, o litro do leite teve alta superior a 20%: Belo Horizonte (23,02%), Rio de Janeiro (22,47%), Brasília (21,76%) e Vitória (21,76%).

Já o feijão-carioca deu a segunda maior contribuição para a inflação de julho, com alta de 32,42% e impacto de 0,13 ponto porcentual sobre o IPCA. Em Curitiba, o preço do quilo do feijão-carioca aumentou 45,20%; em São Paulo, o aumento foi de 43,98%.

O feijão-preto aumentou 41,59%, enquanto o feijão mulatinho ficou 18,89% mais caro e o fradinho subiu 14,72%. O arroz também registrou elevação nos preços, de 4,68%. Na direção oposta, ficaram mais baratos a cebola (-28,37%) e a batata-inglesa (-20,00%).

Olimpíada. As passagens aéreas aumentaram 19,22% em julho, ajudando a impulsionar a alta nos gastos das famílias com deslocamentos no mês. O grupo Transportes saiu de um recuo de 0,53% em junho para alta de 0,40% em julho. "As passagens aéreas já estão mostrando o aumento da demanda por conta da Olimpíada realizada no País", justificou Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preços do IBGE.

As tarifas de ônibus interestadual subiram 8,21% em julho, em decorrência do reajuste de 9,04% em vigor desde o dia primeiro de julho. Também ficaram mais caros o pedágio (3,99%), ônibus intermunicipal (0,81%), emplacamento e licença (0,79%) e conserto de automóvel (0,58%). Na direção oposta, o consumidor pagou menos pela gasolina (-0,39%), etanol (-0,49%), óleo diesel (-0,37%) e automóvel novo (-0,67%).

Habitação. A tarifa de energia elétrica ficou 3,04% mais barata em julho, o equivalente a uma contribuição de -0,11 ponto porcentual para a inflação do mês. Houve diminuição na tarifa de energia nas regiões de Curitiba (-11,17%, devido à queda de 13,83% em vigor desde 24 de junho), São Paulo (-5,74%, graças à redução nas tarifas de 7,3% a partir de 4 de julho em uma das concessionárias) e Porto Alegre (-0,29%, devido ao corte de 7,5% em vigor desde 19 de junho). Além disso, houve redução nas alíquotas do PIS/COFINS em dez das treze regiões pesquisadas pelo IBGE.

A conta de luz mais barata fez os gastos das famílias com Habitação recuarem 0,29% em julho. Mas a taxa de água e esgoto ficou 1,09% mais cara no mês, sob influência das regiões de Goiânia (8,77%, devido ao reajuste de 9,10% a partir de 1º de julho), Porto Alegre (5,35%, por causa do reajuste de 11,45% também em 1º de julho), Salvador (1,85%, tendo em vista o reajuste de 9,98% em vigor desde 6 de junho) e Brasília (0,25%, onde o reajuste de 7,95% vigora desde 10 de junho).

Em agosto, a taxa de água e esgoto volta a pressionar a inflação devido ao reajuste de 10,87% em Vitória, a partir do dia 1º do mês. Já a conta de luz deve ajudar a reduzir o IPCA. O indicador ainda absorverá parte da redução na conta de luz de São Paulo, mas também de Belém (-7,5% a partir de 7 de agosto) e Vitória (-12,14%, também em 7 de agosto).

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