ADEK BERRY/AFP
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Inflação acelera em novembro e ultrapassa a barreira dos 10% no acumulado em 12 meses

Puxado pelos combustíveis, o IPCA avançou 1,01% no mês passado, a maior alta para o período desde 2002; alimentos também contribuíram e apenas o tomate ficou 24,6% mais caro

O Estado de S. Paulo

09 de dezembro de 2015 | 09h04

Atualizado às 11h35

A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acelerou em novembro e ultrapassou a barreira dos dois dígitos no acumulado em 12 meses. A alta foi de 1,01% no mês passado, maior porcentual para o período desde 2002, e de 10,48% no acumulado, a taxa mais elevada desde 2003. No ano, o avanço é de 9,62%. 

Pelo segundo mês consecutivo, os combustíveis lideraram o ranking dos principais impactos individuais. O litro da gasolina, segundo o  Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ficou 3,21% mais caro para o consumidor, ainda devido ao reajuste de 6% vigente nas refinarias desde 30 de setembro.

Já o preço do etanol avançou 9,31% no mês passado, enquanto o óleo diesel teve alta de 1,76%. No grupo transportes, além dos combustíveis, as tarifas dos ônibus urbanos se destacaram, passando a custar 1,11% a mais.

Entre os grupos, no entanto, o destaque ficou com alimentos e bebidas, que subiram 1,83% na passagem de outubro para novembro. Juntos, combustíveis e alimentação foram responsáveis por 66% da inflação de novembro.

Nos alimentos, o principal peso veio dos produtos adquiridos para consumo em casa, que subiram 2,46%. Foram vários os itens que, de outubro para novembro, apresentaram fortes aumentos, destacando-se a batata-inglesa (27,46%), o tomate (24,65%), o açúcar cristal (15,11%) e o refinado (13,15%).

"Não que o preço da alimentação fora tenha ficado comportadinho, mas é que os alimentos no supermercado subiram mais", ressaltou Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preços do IBGE. Em 2015, o grupo alimentação e bebidas acumula valorização de 10,37% - sendo 10,75% o aumento dos produtos consumidos em casa e 9,67% da alimentação fora de casa. 

No ano, Eulina avalia que o reajuste de contas de consumo e dos combustíveis puxaram a inflação, junto com a desvalorização do real em relação ao dólar. Mais de 50% do indicador foi explicado pelos aumentos nos alimentos (27,39% da taxa), energia elétrica (14,41%) e combustíveis (9,54%).

"A taxa desse ano carrega vários reajustes de itens importantes no orçamento, as contas todas que pesam muito no bolso das famílias: energia e água e esgoto, que ficaram represadas durante muitos anos, correndo abaixo da inflação; este ano tivemos pressão forte do câmbio; e óleo diesel e gasolina, que tiveram pressão forte no IPCA", citou a pesquisadora.

(Com informações de Daniela Amorim, da Agência Estado)

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