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Inflação acelera em setembro e fica em 0,21%

A inflação oficial do País, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu em setembro. O resultado foi de 0,21%, ante 0,05% em agosto, e ficou ligeiramente acima do teto das estimativas dos analistas ouvidos pelo AE-Projeções, que variavam entre 0,11% e 0,20%, e bem acima da mediana, de 0,14%. O "salto" na inflação medida pelo IPCA em setembro ocorreu por causa de reajustes "super concentrados e muito pontuais", segundo observou a coordenadora de índices de preços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Eulina Nunes dos Santos."A fisionomia de comportamento dos preços manteve-se inalterada, há vários itens com preços estáveis e vários itens em queda", disse Eulina, acrescentando que "para frente não se espera surpresas, a inflação está bem comportada".Eulina argumenta que apenas quatro itens contribuíram com mais da metade (0,14 ponto percentual) da inflação de setembro. São eles empregados domésticos (0,06 ponto), cigarros (0,02), taxa de água e esgoto (0,03) e vestuário (0,03). A metodologia do IBGE faz com que o reajuste do salário mínimo ainda esteja sendo absorvido no item salário dos empregados domésticos no cálculo do IPCA. Indagada sobre até quando o salário dos empregados domésticos, principal impacto na inflação de setembro, terá efeito sobre o IPCA, a coordenadora do IBGE mostrou a série histórica do ano passado, que mostra aumentos nesse grupo até dezembro.Em agosto de 2006, o reajuste dos salários dos empregados domésticos tinha sido de 2,26%, após 1,18% em julho e antes dos 1,97% de setembro. Desde janeiro do ano passado, houve variação positiva nos salários das domésticas em todos os meses de apuração da taxa.De acordo com a metodologia do IBGE, a base de cálculo para esse grupo é a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do próprio instituto. O cálculo é feito a partir dos salários habituais e não inclui bônus ou 13º salário.No ano passado, quando o reajuste do salário mínimo foi de 15,38%, o pico do aumento dos salários das domésticas foi em agosto, assim como ocorreu neste ano (reajuste do mínimo de 16,67%) até o momento. Os produtos alimentícios registraram alta de 0,08% em setembro, enquanto os não alimentícios apresentaram variação de 0,24%. No ano até setembro, o IPCA acumula alta de 2% e, em 12 meses, de 3,70%. AcumuladoO IPCA acumulado de janeiro a setembro deste ano, de 2,0%, é o menor acumulado neste período desde 1998, segundo mostra a série histórica do IBGE. A taxa acumulada em 12 meses, de 3,70%, é a menor em 12 meses desde junho de 1999. "O cenário é bem confortável para a inflação", avalia a coordenadora do instituto."Observados os 12 meses, está bastante evidenciado que os números têm uma tendência de queda desde o início do ano e não há nada que aponte para a reversão dessa tendência", disse Eulina. Segundo ela, "dada a evidência da série (histórica da inflação), as indicações são que os números caminham para algo (em 12 meses até o final do ano) pelo menos menor que 3,70%", afirmou.Segundo Eulina, o dólar é o principal fator de contribuição para conter a inflação neste ano, com efeito nos preços dos produtos alimentícios e em outros itens importantes nas despesas das famílias, como artigos de higiene pessoal, artigos de limpeza e eletrodomésticos.Ela lembra que o grupo dos alimentos está com preços estáveis há três meses e, em setembro, apesar da pressão pontual de itens como carnes e tomate, a maior parte dos alimentícios registrou queda de preços.Além do impacto nos alimentos, sob efeito do dólar e da safra, a moeda americana foi a principal responsável pela deflação no mês em itens como artigos de higiene pessoal (-0,25%), artigos de limpeza (-0,43%) e eletrodomésticos (-0,55%). INPCO Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação para a camada de renda mais baixa da população, ficou em 0,16% em setembro, ante -0,02% em agosto e acumula alta de 1,32% no ano e de 2,86% em 12 meses.O INPC deverá ficar mais uma vez abaixo do IPCA em 2006, repetindo o que já ocorreu nos dois anos anteriores. O IPCA se refere às famílias com renda de um a 40 salários mínimos, enquanto o INPC abrange a população com rendimento de um a seis salários mínimos.De janeiro a setembro deste ano, enquanto o INPC acumulou alta de 1,32%, o IPCA chegou a 2,0%. Segundo Eulina, a diferença entre os dois índices ocorre especialmente porque os produtos alimentícios, que estão contribuindo muito para conter a inflação em 2006, tem peso ainda mais forte no INPC do que no IPCA.Em 2005, o IPCA fechou o ano em 5,69% e o INPC, em 5,05%. Em 2004 o IPCA ficou em 7,60% e o INPC em 6,13%.Matéria alterada às 13h44 para acréscimo de informações

Agencia Estado,

06 de outubro de 2006 | 10h28

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