Inflação acumulada supera 6,8% e excede meta do FMI

O governo brasileiro admitiu que, em março, a inflação acumulada em 12 meses vai superar 6,8%. Esse índice está acima da trajetória acertada com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para o período. Com isso, a equipe econômica deverá explicar as razões do estouro da meta e negociar com os técnicos do Fundo medidas que façam com que o IPCA, o índice de referência para o sistema de metas de inflação, retome a trajetória de queda. A previsão consta da segunda revisão do acordo do FMI, divulgada ontem, que não trouxe alterações significtivas das metas fiscais acertadas para este ano mas garantiu ao Brasil o aval para iniciar a estratégia de redução do estoque de papéis cambiais, que serão substituídos por um novo instrumento que combina títulos pós-fixados com contratos de câmbio, conhecido no mercado como swap cambial.Apesar de admitir que a inflação pode ultrapassar 6,8%, o diretor de Política Econômica do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, assegurou que o teto da meta de inflação deste ano não será superado. "Não é o caso de ultrapassar os 5,5% de jeito nenhum", disse. Internamente, o governo definiu como meta de inflação uma variação de 3,5% do IPCA, com margem de oscilação de dois pontos porcentuais para cima ou para baixo.O documento diz que esse estouro na inflação deve-se aos choques na econômia ocorridos no ano passado e o BC garante que está pronto para reagir diante de qualquer mudança na trajetória esperada para inflação. No acordo com o FMI o acompanhamento do IPCA é trimestral com valores mais flexíveis. Para março, a projeção central foi fixada em 5,8%. Se o IPCA passar dos 6,8%, o governo terá que consultar os técnicos do Fundo. Se superar o teto da faixa de variação (7,8%), a consulta terá que ser feita à diretoria do FMI. Para o diretor do BC, a partir de abril a inflação seguirá uma tendência de queda.

Agencia Estado,

26 de março de 2002 | 20h26

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