Inflação ajuda a arrefecer ritmo da indústria, diz CNI

Segundo economista da Confederação, alta de preços reduz poder de compra da população e prejudica o setor

Leonardo Goy, da Agência Estado,

03 de julho de 2008 | 14h08

A alta da inflação ajuda a frear o ritmo de crescimento da atividade industrial no País, segundo o economista da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Renato da Fonseca. De acordo com ele, os dados divulgados nesta quinta-feira, 3, "mostram um arrefecimento do crescimento da indústria. Não chega a ser uma reversão, mas é uma desaceleração após o crescimento forte dos últimos meses". Ele explicou que o aumento de preços reduz o poder de compra de parte da população, prejudicando o setor. Veja também:Faturamento da indústria brasileira cresce 7,9% até maioEntenda a crise dos alimentos   Entenda os principais índices de inflação  Ele destacou que esta quebra do compasso deve ser notada com mais clareza em algumas variáveis ligadas diretamente à produção. Por exemplo o volume de horas trabalhadas está praticamente estável há três meses, nas comparações com meses anteriores. Em maio, houve uma redução, descontados os efeitos sazonais, de 0,1% nas horas trabalhadas em relação a abril, mesmo porcentual de queda foi verificado em abril em relação a março. Já em março houve aumento de 0,1% sobre fevereiro.  Mesmo o dado do faturamento real, que registrou crescimento de 1,1% na comparação dessazonalizada com abril não foi suficiente para recuperar as quedas ocorridas em abril, de 0,1% sobre março, e de março, de -1,4% ante fevereiro. "O faturamento das empresas cresceu em maio mas não foi suficiente para recuperar o pico de fevereiro", disse o economista Paulo Mol, da CNI. Segundo Mol, o faturamento das empresas exportadoras acaba sendo limitado pela valorização do real. Na opinião dos economistas, um dos causadores desse "ponto de inflexão", como definiu Mol, é a escalada da inflação. Mol lembrou que a alta nos preços dos alimentos, principalmente, afeta com mais intensidade o poder de compra dos consumidores de menor renda, que vinham sendo os grandes impulsionadores da demanda desde o ano passado."Com isso, Mol acredita que o porcentual de crescimento do faturamento real da indústria no ano deverá ser inferior aos 7,9% que já foram computados no acumulado de janeiro a maio", comentou Mol. Fonseca afirmou que o crescimento da inflação no Brasil não está sendo causado pela demanda interna e sim pelo repasse do aumento de custos internacionais, como petróleo e alimentos. Segundo ele, não está havendo pressão na relação entre oferta e demanda interna, já que a produção industrial está crescendo mas o nível de utilização da capacidade instalada está estável na casa dos 83% desde setembro de 2007. Fonseca disse que isso significa maturação dos investimentos realizados na ampliação da capacidade e/ou aumento da produtividade.

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