Márcia de Chiara/Estadão
Márcia de Chiara/Estadão

Cenoura já custa o mesmo que maçã importada, e consumidor perde referência de preços; veja exemplos

Salto de preços na alimentação, que deu impulso para o IPCA em março, multiplica distorções no supermercado

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

09 de abril de 2022 | 05h00

Correções: 10/04/2022 | 20h38

A disparada da inflação, que atingiu em março 1,62%, puxada por transportes e alimentos, provoca uma perda de referência de preços na cabeça do consumidor e uma grande confusão na hora de ir às compras de supermercado

Levantamento informal realizado na sexta-feira, 8, pela reportagem encontrou, na mesma loja, óleo de milho sendo vendido a preço de azeite, coxão mole (carne de primeira) elas por elas pelo bacalhau e até a cenoura in natura, uma das vilãs da inflação em março com alta de quase 32% no mês e 166,17% em 12 meses, pelo mesmo valor do quilo da maçã importada, R$ 15,90. 

 

A garrafa de óleo de milho, o cereal pressionado pela guerra entre Rússia e Ucrânia, saía por R$ 24,50, e o azeite português, pelo mesmo valor. No caso do bacalhau, em oferta, custava R$ 54,90, mesmo preço do coxão mole. 

 

É bem verdade que em alguns casos existem diferenças nos volumes comparados. No caso do óleo de milho, a garrafa é de 900 mililitros e no azeite, de 500 mililitros. Também a embalagem do bacalhau congelado é de 800 gramas, e a carne bovina é vendida por quilo. 

No entanto, o que choca o consumidor é que a ordem de importância dos produtos, que normalmente se reflete nos preços, foi abruptamente alterada. Na sua memória de preços, o brasileiro sabe que bacalhau e azeite, por serem produtos importados, sempre custam mais do que carne bovina e o óleo de milho, ambos produzidos nacionalmente.

A bagunça nos preços pega também a comparação de produtos nacionais e mais elaborados. É o caso do café, mesmo o Brasil sendo o principal produtor mundial. 

A embalagem de 500 gramas de café torrado e moído foi encontrada por R$ 25,90, enquanto a caixa com 10 cápsulas de café para ser preparado na máquina era vendida por um preço até ligeiramente menor, R$ 25,20. Apesar de cada cápsula ter cerca de 5 gramas, o café em cápsula passa por um processo mais sofisticado do que o em pó, envolvendo mais itens em sua produção.  

Correções
10/04/2022 | 20h38

Diferentemente do que constava no texto, cada cápsula de café tem cerca de 5 gramas de pó, e não 52 gramas.

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