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Inflação ameaça ciclo de corte do juro

A convergência das altíssimas taxas de juros brasileiras para os níveis do resto do mundo, que desde setembro de 2005 vem ocorrendo em ritmo regular e firme, pode ser interrompida nos próximos meses. O panorama global mais instável, a economia aquecida e o aumento da inflação, na esteira da alta mundial dos preços dos alimentos, já leva vários analistas do mercado financeiro a prever que a taxa básica de juros, a Selic, que caiu de 19,75% em setembro de 2005 para o nível atual de 11,5%, vai se estabilizar por algum tempo em nível um pouco abaixo do atual. Nas últimas semanas, os contratos de juros na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) já vêm apontando para esse cenário. Alguns especialistas chegam a prever que, a partir de um ponto mínimo que não está muito longe do nível atual, é mais provável que a Selic suba, antes de voltar a cair. É a visão, por exemplo, de Alexandre Schwartsman, economista-chefe do banco ABN Amro para a América Latina e ex-diretor do Banco Central (BC). "Acho que daqui a pouco será a hora de parar para avaliar melhor o que está acontecendo", diz, acrescentando que "uma vez que pare, acho que o movimento seguinte não é o de voltar a cair, mas sim, o de subir". Como a maioria dos analistas, ele prevê que, na reunião de 4 e 5 de setembro, o Comitê de Política Monetária (Copom) ainda baixará a Selic, mas reduzirá o ritmo de corte para 0,25 ponto porcentual, metade do realizado nas duas últimas reuniões.A interrupção da queda da Selic, se de fato ocorrer, deverá esquentar de novo a briga no governo entre "desenvolvimentistas" e "monetaristas". O ministro da Fazenda, Guido Mantega, já deixou claro inúmeras vezes que a convergência gradual e contínua dos juros reais brasileiros para o nível internacional é elemento central de sua estratégia econômica. A contínua queda da Selic possibilitou a redução dos juros e o aumento dos volumes em diversas modalidades de crédito que afetam os brasileiros comuns, como empréstimos ao consumidor, financiamento de carro e crédito pessoal. Dessa forma, a suavização da política monetária explica boa parte do boom de consumo, especialmente das classes populares, que é uma das causas dos altos índices de aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.No BC, porém, a impressão de muitos analistas é de que a balança dos fatos está pendendo neste momento em favor dos chamados "falcões" (mais intolerantes com o risco inflacionário), como o diretor de Política Econômica, Mario Mesquita. Os sinais cada vez mais claros de aceleração da demanda e de repique da inflação, combinados com um cenário internacional mais incerto, podem tornar mais convincentes os argumentos dos falcões quanto ao risco de a inflação subir além do centro da meta (4,5%) em 2008.

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