André Dusek|Estadão
André Dusek|Estadão

Inflação atingirá pico até maio e volta a 'patamar confortável' depende de reformas, diz BC

BC afirma que aceleração do ritmo de retomada da economia dependerá da diminuição das incertezas em relação à aprovação das reformas

Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

26 de março de 2019 | 10h06
Atualizado 26 de março de 2019 | 19h12

BRASÍLIA - Apesar de controlada, a inflação no Brasil deve atingir um pico nos próximos meses, para depois se acomodar em níveis mais baixos. Esta é uma das conclusões trazidas pela ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, publicada nesta terça-feira, 26.

No documento, além de prever inflação mais alta no curto prazo, o BC reiterou que será cauteloso antes de alterar novamente a Selic (a taxa básica de juros), seja no sentido de alta ou de baixa. Isso apesar de a recuperação da atividade econômica estar abaixo do esperado.

Na semana passada, na primeira reunião sob o comando de Campos Neto, o Copom manteve a Selic em 6,50% ao ano, pela oitava vez consecutiva. Na ata de terça, a instituição afirmou que a inflação acumulada em 12 meses deve atingir um pico em abril ou maio. Depois, no entanto, ela deve perder força e encerrar 2019 dentro dos parâmetros projetados pelo BC. A meta de inflação perseguida pela instituição este ano é de 4,25%, com margem de tolerância de 1,5 ponto porcentual (taxa entre 2,75% e 5,75%).

No documento publicado, o BC também passou indicações de que pretende avaliar, ao longo do tempo, o desempenho da economia e que terá “cautela, serenidade e perseverança” ao conduzir os juros.

Na visão do economista-chefe do Rabobank, Mauricio Oreng, o Banco Central quer esperar para ver se a reforma da Previdência caminhará no Congresso. Se necessário, a autarquia poderá mudar a política monetária. "O plano de voo do BC parece que não inclui corte de juro no curto prazo. Só no segundo semestre é que isso pode ficar mais claro”, avaliou Oreng. “Não consigo ver o Banco Central cortando a Selic antes de a reforma previdenciária passar em primeiro turno na Câmara."

O Banco Central também reforçou, na ata de ontem, a avaliação de que a recuperação da atividade arrefeceu no Brasil. Segundo a instituição, o ritmo da economia ficou abaixo do esperado no último trimestre de 2018, o que contribuiu para a revisão – para baixo – das projeções de alta para o Produto Interno Bruto (PÌB) em 2019. Dados preliminares divulgados no início deste ano também levaram a revisões do mercado financeiro para a alta do PIB. O resultado é que, desde o início do governo de Jair Bolsonaro, a projeção do mercado financeiro para a alta do PIB em 2019 passou de 2,51% para 2,00%.

"Quer queiram ou não, o fiscal é importante para fazer política monetária (decisão sobre a calibragem da Selic para controlar a inflação). E, com a incerteza fiscal que temos e todo esse ruído político (em torno da reforma da Previdência), é preciso esperar a marcha dos acontecimentos para mudar a trajetória da Selic", avaliou o economista-chefe da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), Nicola Tingas. Para ele, a tendência é de que a Selic siga em 6,50% ao ano na próxima reunião do Copom, marcada para o início de maio. /Colaboraram Maria Regina Silva e André Ítalo Rocha

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