Tiago Queiroz/Estadão - 16/4/2020
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Inflação desacelera para 0,31% em abril, mas acumula alta de 6,76% em 12 meses

IPCA do mês foi puxado pelo reajuste de até 10% nos preços dos medicamentos; resultado acumulado está acima do teto da meta do governo para este ano

Daniela Amorim e Francisco Carlos de Assis , O Estado de S.Paulo

11 de maio de 2021 | 09h15
Atualizado 11 de maio de 2021 | 13h47

RIO e SÃO PAULO - Os preços dos combustíveis deram trégua à inflação em abril, mas o reajuste de medicamentos autorizado pelo governo pesou no bolso das famílias. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) desacelerou de 0,93% em março para uma alta de 0,31%, informou nesta terça-feira, 11, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Apesar da melhora, a taxa de inflação acumulada em 12 meses subiu a 6,76%, o maior patamar desde novembro de 2016, ante uma meta de 3,75% perseguida pelo Banco Central este ano. A expectativa é que o IPCA encerre 2021 em 5,5%, acima do teto de tolerância (de 5,25%) da meta de inflação, previu o sócio-diretor da Macrosector Consultores, Fábio Silveira.

“Em maio, o IPCA pode até ficar em 0,30%, 0,35%, mas a partir de meados do ano a pressão deverá voltar no que pese a redução do câmbio”, disse o Silveira, alegando que a inflação atual é puxada pelos preços das commodities no mercado internacional e que o comportamento desses produtos tende a ser mais intenso na segunda metade do ano.

A queda no preço da gasolina e do etanol foi o principal fator de desaceleração no IPCA na passagem de março para abril, mas a alta mais branda no gás de botijão e a queda na tarifa de energia elétrica também contribuíram, afirmou Pedro Kislanov, gerente do Sistema Nacional de Índices de Preços do IBGE.

Por outro lado, as famílias gastaram 1,19% a mais com saúde e cuidados pessoais em abril, o equivalente a mais da metade (0,16 ponto porcentual) da inflação do mês. A alta foi impulsionada pelos produtos farmacêuticos (2,69%). No dia 1.º de abril, foi autorizado o reajuste de até 10,08% no preço dos medicamentos, dependendo da classe terapêutica, justificou o IBGE. Os remédios anti-infecciosos e antibióticos chegaram a subir 5,20%. Houve alta também nos produtos de higiene pessoal (0,99%).

Na alimentação, as carnes aumentaram 1,01%, acumulando uma alta de 35,03% nos últimos 12 meses. Também ficaram mais caros o leite longa vida (2,40%), frango em pedaços (1,95%) e tomate (5,46%). O avanço nos preços de proteínas de origem animal reflete a pressão dos custos maiores de produtores com a ração, devido aos aumentos do milho e da soja no mercado internacional, explicou Kislanov.

“Não dá para afirmar ainda que haja pressão de demanda (sobre a inflação). Inclusive houve desaceleração do setor de serviços”, ressaltou Kislanov.

Dentro do IPCA, a inflação de serviços - usada como termômetro de pressões de demanda sobre a inflação - arrefeceu de uma alta de 0,12% em março para 0,05% em abril, sob influência da trégua na alimentação fora de casa e de alguns serviços ligados ao turismo. O recrudescimento da pandemia tem ajudado a arrefecer preços de serviços e de alguns alimentos mais perecíveis, afirma Kislanov. Por outro lado, a reedição do auxílio emergencial pode influenciar itens essenciais a partir de maio, prevê.

O economista-chefe da Nova Futura Investimentos, Pedro Paulo Silveira, vê uma estagnação dos preços dos alimentos e da cotação do dólar como elementos decisivos para a manutenção da inflação em patamar mais suavizado.

Agora, diz Pedro Paulo Silveira, “temos que ficar de olho na nova rodada de aumento de energia elétrica, que deve acontecer nesta temporada devido a seca no Sudeste e Centro-Oeste, onde estão os principais reservatórios e geradores de energia. Portanto, isso deve causar pressão inflacionária daqui para frente”, escreveu o economista da Nova Futura em nota que enviou aos clientes da instituição nesta terça-feira.

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