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Inflação brasileira concentra atenções em Wall Street

A inflação deverá ser o centro das preocupações dos analistas e investidores em Wall Street em relação ao Brasil nesta semana. Em razão das expectativas de alta nos índices de preços ao consumidor, a grande maioria dos analistas em Wall Street aposta numa elevação da taxa de juros em 100 pontos-base (para 22% ao ano) ao final da reunião do Copom, programada para amanhã e quarta-feira. Os analistas do banco de investimentos Morgan Stanley Dean Witter estimam uma elevação da taxa Selic em 100 pontos-base. Na opinião do estrategista-senior de renda fixa para América Latina do Morgan Stanley, Jaime Valdívia, a volta da inflação levanta a questão sobre a necessidade de ações enérgicas em termos de política monetária. "A falta de um aperto monetário fará com que fatores técnicos contribuam para depreciar mais ainda o real no curto prazo", explicou Valdívia, para quem tais fatores técnicos não devem melhorar nos próximos meses como consequência do pesado cronograma de rolagem de títulos indexados ao dólar e dos "swaps" cambiais. "A inflação está se tornando rapidamente uma grande fonte de preocupação no Brasil. O impacto de uma forte depreciação do real está sendo refletido gradualmente nos principais índices de inflação", afirmou Valdívia. Os analistas do Morgan Stanley prevêem que o IPCA do próximo mês pode atingir o mais elevado nível desde a criação do Plano Real, em 1994. "O mercado estima que o IPCA de novembro oscilará entre 1,3% e 1,9%, o que traria o acumulado em doze meses para um patamar entre 9,1% e 9,7%, o mais alto desde o início do Plano Real", afirmou. "Daí acreditamos que o Banco Central irá agir para conter a inércia inflacionária", acrescentou. O aspecto negativo, segundo ele, de uma nova elevação da taxa Selic será o retorno do debate sobre a dinâmica da dívida. Para o economista-chefe para mercados emergentes do banco HSBC, David Lubin, a decisão do Copom será bastante difícil nesta semana. "Desde a reunião do dia 22 de outubro, aconteceram fatores positivos em diversas variáveis", disse Lubin. Ele citou a queda na taxa de risco soberano em quase 200 pontos-base, para ao redor de 1.800 pontos-base, e a alta do câmbio de R$ 3,90 por dólar para R$ 3,70 por dólar. "O preço do petróleo no mercado internacional caiu de US$ 27 o barril para US$ 23 o barril", acrescentou. No entanto, disse Lubin, todos esses fatores positivos foram ofuscados pela forte alta da inflação e também pela deterioração nas expectativas de inflação. "Em princípio, uma análise fria dos números de inflação recomendaria, em condições normais, uma nova alta dos juros. Tal medida seria eficaz apenas se fosse parte de uma resposta mais ampla em termos de política econômica, incluindo um compromisso explícito anti-inflacionário por parte do próximo governo", comentou Lubin. Ele acredita que tal compromisso será feito e, portanto, aposta numa alta da taxa Selic em 100 pontos-base pelo Copom nesta semana. Essa é também a aposta do diretor de pesquisa e de estratégia para mercados emergentes do banco Goldman Sachs, Paulo Leme. "A inflação mais alta é um reflexo tanto de um real depreciado e dos fortes reajustes de preços administrados", disse Leme. Segundo ele, embora não haja pressões de demanda sobre os preços e seja razoável apenas endereçar a questão dos efeitos secundários dos choques de preços, há uma precupação com a expectativa de inflação mais alta. Já os analistas do banco de investimentos JP Morgan, em nota distribuída a clientes, observaram que um mercado de câmbio mais calmo poderá limitar a alta da taxa Selic pelo Copom em apenas 50 pontos-base. "Esse aumento seria seguido de nova alta da taxa Selic na reunião de dezembro do Copom, embora a ressurgência de temores em relação à perspectiva da inflação poderá levar a um aumento dos juros em 100 pontos-base já nesta semana", disseram os analistas do JP Morgan.

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