Inflação cai mas ainda preocupa, diz analista

O comportamento da inflação preocupa menos, mas ainda não pode ser considerado confortável, porque a meta de inflação fixada para 2004 é de 5,5% e as expectativas inflacionárias do mercado são superiores e estão próximas de 6%. A análise é da economista Zeina Latif, da equipe do Departamento de Economia do HSBC, ponderando que a inflação ainda gera algum desconforto entre os analistas, mas admitindo que seria "um exagero" afirmar que há motivos para preocupações maiores quanto à dinâmica inflacionária no médio prazo. Uma evidência disso, segundo ela, seria o foco mais acentuado do Comitê de Política Monetária (Copom) nos indicadores de curto prazo da inflação. Em relatório a clientes do HSBC, a economista explica e detalha que o alvo de preocupação com a inflação é o comportamento dos preços no atacado de produtos industriais. "O grande temor, inclusive explicitado pelo BC, é que o repasse de preços do atacado sobre o varejo seja muito elevado em contexto de reativação da demanda interna", disse Zeina. Para demonstrar que não prevê espaço que potencialize esses repasses do atacado ao varejo, a economista do HSBC cita três fatores: 1) a confiança no sistema de metas de inflação que limita os formadores de preços a repassar custos ao consumidor e elevar margens; 2) não há sinais de que esteja ocorrendo uma recuperação desbalanceada da demanda interna, com pressão sobre os preços; 3) a trajetória atual e esperada da taxa de câmbio sinaliza estabilidade, a partir do ótimo desempenho da contas externas. "Olhando os últimos números divulgados, o quadro se mostra menos preocupante, mas ainda não é suficientemente alentador", afirmou Zeina, referindo-se aos indicadores de preços divulgados nesta semana. O Índice de Preços no Atacado (IPA-10) industrial, por exemplo, perdeu fôlego, caindo para 1 67% contra 2,29% no IPA-DI de fevereiro. Mas, em contrapartida, o IPA agrícola registrou alta de 0,29%, contra 0,65% no segunda prévia do IPA-M de março. Segundo a economista, os preços ao consumidor já vem sentido o impacto desse movimento. "O item alimentos no IPC-10 ficou em 0,68% contra 0,28% no IPC-DI. É uma sinalização desfavorável para o item alimentação no IPCA de março", advertiu Zeina aos clientes do HSBC do Brasil.

Agencia Estado,

20 Março 2004 | 11h38

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