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Inflação cai na boca do povo

Piadas e protestos trazem tema da inflação de volta para as conversas dos brasileiros 

Yolanda Fordelone, de O Estado de S. Paulo,

10 de abril de 2013 | 20h53

 

SÃO PAULO - O tema inflação deixou definitivamente de ser um assunto só de analistas econômicos e colunistas de jornal e voltou a fazer parte das discussões do dia a dia dos brasileiros. O preço do tomate, o vilão da vez - posto já ocupado pelo chuchu no passado -, subiu 122,13% em 12 meses.

Com bom humor, nas redes sociais, as piadas remetiam a joias de tomate, prêmios da Mega-Sena pagos pelo produto e até um caqui preso por se passar por um tomate. Na TV, a apresentadora Ana Maria Braga, da TV Globo, usou nesta quarta-feira durante o seu programa Mais Você um colar de tomate e para satirizar afirmou que estava "usando uma joia".

"A agricultura teve uma quebra de safra norte-americana no segundo semestre de 2012 e obviamente isso ia ser transmitido para o preço. Atualmente, os preços em geral subiram e o tomate virou a 'vedete' para representar a indignação", diz o economista da LCA, Étore Sanchez.

Percepção. Os economistas dizem que o problema não é o tomate em si, cujo peso no IPCA é de apenas 0,33%. A questão é que a alimentação, cujo peso é de 24,5% no IPCA, é rapidamente percebida pelos consumidores. "Virou piada. Há dois anos já sentimos uma elevação nos preços e agora em março chegou ao ápice, batendo o teto da meta do governo, de 6,5%", diz o professor da FGV, Samy Dama.

Dentro dos alimentos, o tomate foi o item que mais subiu no ano (60,9%) e o segundo na comparação de 12 meses (122,13%).

Antes do Plano Real, o País conviveu com taxas de inflação muito mais elevadas e o tema era comum nas rodas de conversas. Em 1994, por exemplo, o IPCA avançou 916%. Um dos motivos para a inflação estar agora sendo sensivelmente percebida pelo consumidor é que antigamente os reajustes salariais tinham periodicidade menor, chegou a existir até o gatilho salarial. "O consumidor não tem ao longo do ano a recomposição do salário e percebe assim que o seu poder de compra está sendo corroído", diz Samy. 

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